terça-feira, 4 de março de 2025

Sobre você e eu, sem nós...

 Você diz que sabe o porquê penso que seu relacionamento está "apenas" passando por um "breve" tempo de afastamento...

Mas será que você sabe que não temo o contrário? Como reagiria se eu admitisse isso?

Reafirma que entende minha perspectiva sobre a efemeridade dessa sua atual separação...

Mas será que imagina o quanto dói conjecturar que possa ser que eu tenha pouco tempo ainda para ficar tão perto assim?

O relógio ainda nem rasgou a folhinha do calendário e eu já acenei um horizonte... mesmo assim continuo a lista das minhas incertezas sobre você e eu, sem nós.

Você ratifica e insiste que já tentou de tudo: falou, foi atrás... conta como se eu fosse parte da torcida por seu relacionamento. 

Mas será que sente a minha torcida por você? Para que saia dessa e de qualquer fase triste, pesada... 

Fomos tão longe nas suas histórias e suas dores que seu sofrimento contou para quem você, real-mente, estava confessando dessabores que amargaram o gosto da sua vida. Ela esteve, você aprofunda, na vergonha no dia da briga - que eu só soube por insistência quase invasiva; também foi o primeiro pensamento no mesmo dia à tarde, de toda essa "nossa" história, depois da briga que lhe feriu a vaidade e o coração de filho "adotivo".

Será que enxerga a frustração que rasgou a minha face? Rebaixando com isso minha expressão entre um ciúme, alguma desilusão e uma sensação de fracasso. E será que sentiu nesse o gosto/motivo do doce mesmo assim oferecido? 

Confessou dos dias difíceis que dividiu com sua "verdadeira" melhor amiga. Foram situações sobre brigas, idas a hospitais em que ela foi a primeira ligação e a primeira visita esperada. Tempos de mudança de casa, escolha de móveis, novos hábitos e companhias de noite. Além de admitir que construíram a maior parte das vezes que me disse que arrumou a casa, comprou roupas novas, desejou uma TV para verem agarradinhos, sob às cobertas, suas músicas preferidas... tantas e tantas situações imaginadas várias vezes nos meus sonhos, que eu jamais pude imaginar que você também queria, pois nunca quis isso comigo.

Será que lembrou das conversas sobre suas dores de amores pelas noites, enquanto me mostrava o bairro onde viveu sua vida toda? Ou que me mostrou o tesouro que a sua mãe enterrou no centro da cidade mais nova e que hoje a cidade já está mais desenvolvida? Será que imagina o quanto foi constrangedor frequentar, por várias vezes, vários cantos da sua história? 

Enquanto tentava esconder, até de mim mesmo, a dor de ser esquecida, lembrei dos amigos do seu avô que já encontramos no supermercado, nas esquinas, naquele bar com as luzes penduradas de uma árvore à outra - brilhando como um vídeoclipe cantando Gênesis, Brad, Pain of Salvation... Mas que também "tem a hora da sessão coruja" com Interpol, Fiona Apple, Portshade, Jeff, Cornell, Lane, Vitor, Marina, Lobão... E Madrugada na sua verdadeira casa diante de uma samaumeria que enquadra uma foto linda com o nascer do sol.

Será que isso é sobre "You write me love letters with your father's pen"?

Esqueceu, mas não comigo, a parte que mais preza no seu corpo. Voltou correndo, frustrado, para reaver aquele pedaço da sua alma deixado na minha cama. Desci tão rápido quanto pude após registrar, na mesma hora que você, aquele deixado.

Será que sabe que gostaria que aquilo fosse um enorme lapso? Um presente do seu inconsciente para esse seu abrigo tão maltratado como seus tesouros herdados: sua casa, seu dom para música...

Desci correndo com um sorriso triste nos olhos e nos lábios. Percebi que você tinha pressa para desfazer qualquer rastro de importância sobre aquela noite em um espaço importante para mim.

Será que lembra que deixou cair uma correntinha de coração que desamarrei do pescoço quando deitei na sua cama depois de tentar organizar sua vida?

Parece a mim tão óbvio, mesmo sem querer enxergar e apesar de sentir, que não teve qualquer relevância receber "o meu carinho que carece abrigo"...

Estava lá, na hora que sai de casa para encontrar grandes amores, a corrente que esqueci com você, pela segunda vez seguida, para ter certeza que retornaria a frequentar sua intimidade. E ao mesmo tempo, pude entender porque você riu de mim ao lhe dizer que a minha torcida é pelo que desejo com e sinto por você... 

Será que sabe - mesmo, mesmo - que eu percebo o que diz entender porque eu acho que vocês deram "apenas" um tempo? 

Já que mesmo tendo alguma óbvia intenção de me iludir (por esporte, lazer, machismo,  automatismo, oportunismo, vingança ou desrespeito comigo) ainda assim, obviamente - se você quis me entregar minha cadeia de corações significantes - queria também se livrar de alguma prova que te afastasse verdadeiramente de sua querida namorada. Ou talvez, simplesmente, quis me afastar de você para que possa buscar um caminho melhor. Ou, mesmo que tenha tentado me devolver, a mim - desatando nossa/minha "correntinha" (sem valor) - fez tão sem consideração que ao me "exigir" o que pode ter sido um beijo de adeus dessa "aventura" (como você nos classifica) deixou caída e desprotegida uma parte minha da "nossa" história, na minha porta, numa calçada solitária, num dia cinza.

Você disse que iria embora, algumas vezes, na última noite. Será que sabíamos que era porque não voltaria já-mais?

E será que imagina que tem feito entre 23° e 26° na Cidade Nova e o que você me fez, faz chover na minha alma? Isso alaga meu corpo, meus sonhos e turva à minha visão a tal ponto que não exergo nada, nem mesmo essa nítida e verdadeira desilusão. 

Hcqf 04-05 de março de 2025

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