quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Clarice Lispector(1998): Perdoando Deus

~* Significado subversivo em mim: perdoando (a)Deus



~* Trechos do Texto, "Perdoando Deus", de Clarice Lispector, ditos da maneira como fazem sentido em mim:
"É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer de minha pior morte...
Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente...
Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele".
(LISPECTOR, Clarice. 1998) 

~* Como  se fazem sentir em mim:
Não gosto da conveniência/solenidade de quando abrem-se as cortinas... Prefiro a coxia mesmo! Mas ainda não sei se me (re)conheço atrás do palco, ou diante da plateia. Como eu disse: tenho mais de pecadora que de religiosa, e não estou falando de sexo, e sim de amor. É um pecado original amar, para mim... Mesmo eu não querendo ser mãe... e sem querer acabar pecando... 
(HCQF, Agost-2017) 

~* Uma música para dizer (a)Deus:
- O Bilhete e o Trovão -
No silêncio, na calmaria que antecede a dor
No escuro, na pausa entre
A chuva e o primeiro trovão
Seja minha canção
Estrofe, ponte e refrão

Quando a porta recusa-se a abrir e eu bato em vão
Quando vejo de longe o trem partir
Com bilhete em minhas mãos
Seja minha canção
Estrofe, ponte e refrão

Quando o lápis resiste obedecer
E eu tento me impor
Quando o copo balança
Em minhas mãos eu temo compor
Seja minha canção
Estrofe, ponte e refrão

Seja minha canção
O primeiro trovão
Seja minha canção
Um bilhete em minhas mãos
Seja tudo o que perdi
Seja o que está por vir
(Os Arrais) 

~*Para ouvi-la:

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