sábado, 28 de março de 2015

Olhar convite




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Sabe quando um olhar convida?
Como que esperando uma resposta pára alguns segundos no seu e um encontro acontece às escuras, em silêncio... Mas não é sem linguagem. Deixa livres alguns significados arrebentando a parede do peito...
O convite chegou, sem que eu soubesse que era pra responder, apesar de ter sentido vontade... E sem saber como compreender aquela honra, recusei como se fosse um simples recado...
Talvez algo em mim soubesse que era irrecusável, ou talvez inconciliável, ou mesmo considerável-mente obra da minha imaginação...
Não é fácil deixar alguns presentes de lado, nem revê-los sendo compartilhados sem que precise da sua permissão. Faz parecer estranho um sentimento antigo, faz parecer amigo um sentimento alheio, faz querer algo que não pode ser correspondido.
Outro convite surdo foi lançado... Desta vez o silêncio seria quebrado, mas de novo seu sentido mais caro – a liberdade- foi quem respondeu...
Não é livre o sentimento desencontrado, não é livre o sonhador desamparado... Embora não esteja preso em algo mais que seu desejo, embora não seja mais que cárcere do porto que decidiu abandonar. É escravo da ancora invisível que aportou em alto-mar, deixando as turbulências coordenarem as frases que pairam em cada encontro-olhar...
Em Machado encontro uma metáfora possível, que diz sobre olhos oblíquos e vê no mar um sentido, chamando-os, Olhos de ressaca. Onda que impõe seu domínio. Um olhar que origina toda a história sem revelar suas palavras e a enclausurar estes destinos, nas linhas encantadas das lamurias de Bentinho.
Embora o que esteja solto faça Casmurro uma prisão, seja feita a vontade do Dom, que se liberte alguns sentidos, mas o sentimento não.
Talvez a liberdade num encontro seja seu caminho mais difícil, embora em Machado se descubra, que é ainda mais bonito. Tal qual a beleza imaginada - e por vezes retratada por seus leitores, de Capitu. Não há quem tenha vislumbrado a vilã descrita, mas muitos viram a beleza que arrastou e revelou Bento, carrancudo e ciumento.
Perdida nas letras machadianas, encontro algo daquele convite e da consequente recusa. Parece que algumas vezes o que não é dito consente o silêncio existir e por vezes nada mais que isso, ou ainda abraçar o infinito.
(HCQF/ març-2015)

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Sobre quando o carnaval não se dá e quando se dá no carnaval é carnavalizar...
Fiquei pensando sobre como as coisas ás vezes se encaminham e como caminho em meios as coisas não querendo ser apenas uma delas... Pensei que bastasse pensar para não ser, mas ainda há coisas antes...
Ainda não sei o que é preciso, ainda estou em um caminho pensativo, apesar de saber que preciso de mais do que isso.
Percebo como algumas pessoas caminham do meu lado. Vejo-as e não sei se elas me vêem como as vejo, ou com a forma que eu quero que elas me vejam...
Algumas vezes parece que são trajetórias perdias... Partidas encostadas em começos, encostas de saída, precipício de entrada, porta de casa...
Parece que o carnaval é o começo, ou por vezes parece que recomeça tudo no carnaval, mas pode ser um momento de saída, afinal não há como entrar em uma nova jornada sem sair da antiga...
São algumas perguntas que me despertam, quando tenho poucas ocupações, mesmo ainda tendo muitos compromissos. Em um momento de comemoração, descansar a responsabilidade pode ser um grande aprendizado, ou não.
Está tudo guardado na gaveta sem chave, perdidos no armário invisível que ocupa nosso lado mais abstrato: nossa imaginação. A fantasia que nos deixa recordar do que nos é mais caro, embora não nos permita escolher quando é. Isso mesmo, quando é, porque não foi e nem vai ser, porque diria Fernando Anitelle (poeta, amado, do Tetro mágico): “amanhecerá de novo em nós...”.  E como eu costumo dizer: hoje é sempre, até ser amanhã e partir...
(HCQF/fev-2015)

Cantando, com o Teatro Mágico:
"O post é voz que vos libertará..."

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Ter(no)...


    
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E quem dispara as escolhas que a razão não escolhe por medo e o coração esconde de covardia? São escolhas rebeldes, cheias de vontade e fantasia de absoluta verdade. São pedaços de sonhos, descontextualizados pela dilaceração, que o querer provoca, quando amontoado de desejo, paixão, amor, morte, angústia, luz e escuridão. São como a música: “feitos de silêncio e sons”. Certas coisas que contamos pro mundo, antes de discutir conosco. N(ego)ciações, isto é, negações que a mente descontroladamente faz, mas que a emoção, entregue, desconsidera e dispara  diante do outro. Aventurando compor canções de ninar para o tempo parar de se perder, enquanto a vida rodopia, sem critério, como criança devotada por sensações...
(HCQF/abril-2014)

domingo, 25 de janeiro de 2015

Alvorada sem mistério...

                                                               Alvorada sem mistério






De acaso o encontro foi armado. A certeza que não teria demora desfez-se. No lugar de sempre estava a saudade, em um lugar perdido a amizade, no lugar escondido a vontade, mas não está na geografia qualquer lógica disponível.
Pareciam distantes, mas as histórias se cruzavam, os olhares se encostavam e a tarde ia embora sem compromisso. O grande compromisso era se vê livre. Era preciso ver na escuridão sua verdade escondida.
Como encontrar liberdade na prisão? Como se desvincular de uma construção fecunda? Como ir embora agora? Como era o agora sem história?
Nem uma pergunta foi respondida. Não há riqueza de detalhes possível para a consolação... Só há vontade de ficar perto... Só há o desejo de morar naquele coração.
Foi difícil sentir a delicadeza desse afeto... Foi difícil ir embora sem perdão... Ainda bem que não era o final da estrada, ainda bem que tinha muito de beleza nesse enredo. Ainda havia varanda á espera. Ainda a via, vendo seu mistério.

No detalhe do cabelo, nas palavras de aconchego, cada marca foi fazendo sentido, cada luta foi ganhando seu partido. Um cuidado delicado era preciso. Era preciosa aquela parte da estrada, mas um tesouro escondido.

(HCQF/maio - 2014)

sábado, 23 de agosto de 2014

Por hora...

      

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           Adeus sem demora
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Das coisas do agora
Que a gente só sabe quando vão embora
Perdi espaço no mundo
Perdi um bocado de abrigo
Pedi um laço sofrido
Dei mais angustia que carinho
Fui consolo sem acalanto
Fui embora de mansinho

A briga da partida foi outrora
O motivo de partir foi o presente
O passado ainda não cumpriu sua história
Na escola da vida a razão se fez ausente
E a emoção inconsequente
(HCQF/ jun-2014)

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Incalculável, mas não é impossível...


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O amor é sentimento tão profundo, que fica até difícil dizer e sentir. Parece que sentir vem sempre na frente, enquanto que o dizer fica mais pro meio, ou ainda mais frequente no fim.
Parece que o dizer não dá conta do que contém o amar, o amado ser, então, isso fica ainda mais difícil de agradecer. É algo tão estranho e tão repleto de ganhos, que modifica a maneira de pensar. Aí, demora-se um tempo pra reaprender a falar, porque algumas palavras perdem o significado, enquanto outras acabam de ganhar.
Não é gostoso dizer, como é gostoso ouvir, mas com certeza SENTIR, isso não tem remédio ou solução. Faz parte das coisas que demonstram os limites do mundo, faz parte das coisas que mostram o tamanho do coração, a imensidão da vida.
E mesmo assim coloca os sentidos em último plano. O engano vira aliado, parece que todos sabem quão preciso é seu achado...
Mas viver um amor não tem segredo ou fórmula. Só tendo essa graça pra poder saber. É algo incontável, indizível, incalculável, mas não é impossível.
Está entre as grandes possibilidades que a vida planeja. Está planejado em nosso DNA. Sim, todo homem vai amar, mesmo que não queira, mesmo que não seja amado, mesmo que perceba, e se não perceber, terá recebido o maior presente ao preferir levá-lo consigo de maneira leve. E certamente, o ser amado terá a pretensão de ter encontrado a vida ao recebê-la.

(HCQF/maio-2014)

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Cantando:
"Quando chove na cidade
Eu lembro de você
Daquela vez que caiu o céu
E eu te coloquei de baixo de mim
Da primeira vez que você chorou
Deitada no meu peito
Coração
Quente de dor e amor
Quente de dor
Demorou pra ser
Demorou pra ver
Mas agora é"
(Demorou pra ser  - Vangart)