Autografias
em que me conto para elaborar meus desamores e me reencontro, objeto dos meus dias.
quinta-feira, 11 de junho de 2026
A house doesn't make a home
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Uma música sobre o pai morto da minha amiga
Tem uma música que eu canto desde o dia que eu vi uma amiga cantar para o pai dela que morreu. Um homem que ela via grande, mas que era pequeno e fazia todos parecerem personagens de circo.
No dia que não consegui ver esse filme, na tv, eu chorei muito, como não pude chorar quando meu pai morreu...
A família que seria a do meu filho, não fez sequer a menor questão da morte do meu pai e aquilo doeu e acabou de uma vez com meu casamento. Nenhum deles se importou com a menina que não teve pai e o tio, todo errado, ocupou essa posição com algum amor.
Eu digo algum amor, porque estou com o coração partido... Agora parece que nunca vi o amor de perto, parece que ele sempre estava longe, como uma praia no horizonte... e eu no deserto.
Faz tempo que estou para ter essa conversa comigo, sobre o dia que eu descobri que não tinha pai, porque meu tio era o pai que eu tinha. Nesse dia, eu lembrei que irmão não pode namorar irmão e meu Édipo foi se resolvendo caindo igual pedra na minha cabeça.
Não dá, não dá, não tem.
Então, só depois vi meu pai... Um homem todo errado, cheio de provações e erros... Daí pra frente/gente achei que ter um pai era um privilégio, tipo morar numa casa linda, em um bairro bom de uma cidade qualquer. Eu nunca tive isso. Agora tenho um bairro bom, numa cidade qualquer, numa casa que precisa pintar/reformar.
E esse meu pai, a mim chegou ao longo de muito tempo, com uma grandeza que escondia a pequenez viva da minha mãe. Quer dizer, doer um pai morto era mais fácil que amar uma mãe com defeitos, humana, mulher... Que agora eu sou.
Cometi um erro no trabalho, que pode me custar os dias de folga que não tive esse semestre. Preciso desacelerar e focar na escrita que amo. Mas hoje tenho priorizado fazer dividas.
Talvez o corte deva começar por aí, claro que depois do que realmente precisei fazer: costurar meu coração. Tecer meu ninho é sempre isso que faço e desfaço... Ora sem dor, ora com muita dor.
Não sou um passarinho. Tenho que ter uma casa e minha mãe tá muito velhinha. Já viu de tudo, menos eu ter uma casa.
É, eu estou chorando... Sonhei um lar com viagens pro exterior... Arrebentei essa fechadura e fui embora. Era muito seguro, tinha um cômodo para fuga de tempestade, furacão e tudo. Eu não sei o que fiz.
Precisei sair, queria sentir de novo meu peito. Senti e as vezes é quase fulminante. Meu peito fala uma língua muito pretensiosa, é egoísta, as vezes agressivo, quase nunca se importa comigo. Esses dias me apresentou "A próxima" e quase um mês depois "Uma outra"... Estou deixando de acreditar no amor, como quando eu tinha 13 anos e sentia saudade de ter pai. Mas com 10 anos tive medo de perder minha mãe para um namorado dela, depois com 15 anos senti o medo mais forte de todos, um enfarte, um cateterismo...
Estou até hoje sofrendo isso... Não quero pensar, fico ignorando a possibilidade... Coloquei ela no lugar mais importante da minha rotina com meu filho. Os dois ao meu lado e eu suspirando para a esquina.
Preciso ser mais honesta comigo... É mais fácil pensar na minha morte/sorte, com eles, do que na minha vida/morte sem eles. Olho para o lado e vejo o distante para não ver quem tá próximo.
A minha casa tá uma bagunça, tenho muitas coisas para resolver, enquanto derramo sabedoria na esquina. Eu disse: "depois vai doer mais em você"... Sabendo que isso seria o peso ao quadrado em mim.
A gente não sente a própria morte. Sente o medo da morte e isso é terrível. Mas medo de perder quem ama... Nossa, esfria até congelar.
É o amor que faz a gente sentir o peito do outro, tipo quando a criança deita abraçada com a mãe para sentir se ela está respirando, senão acaba tudo. E não acaba, mas fica muito diferente e mais sério e mais triste.
Eu disse: "respeita o coração dela senão vai doer mais em ti", enquanto me protegia de toda dor que me causei para não ver ele mais triste do que sempre. Toda dor que segurei para tentar fazer ele parar de me fazer chorar. Todas as vezes que ele colocou alguém diante de mim ou na minha frente. Assim me fez brilhar só de madrugada pra ele. E é suficiente?
Sempre quis ser o céu de alguém, mas amor era tipo esperar a estrela cair para fazer um pedido. E o mar sabe mais da realização de sonhos que qualquer ser humano vivo.
Eu quero vê-lo sentir minha falta e me ligar, mas eu não ligo. Eu quero que ele me encontre/contenha onde sabe que posso estar, mas eu não frequento esses lugares sem ele.
Eu quero que me faça uma surpresa e devolva a magia do amor, mas não me vê, nem se eu estiver nua na sua frente. Não tem ninguém ali onde ele me colocou. Qualquer pessoa ocupa o meu lugar de analista e a transferência é um falso amor.
Sempre digo que não é um "amor falso", mas não é de quem está ali bem na frente... Tal qual o lugar mais escuro ficar bem embaixo da lâmpada, faz todo sentido, não ver ou ser visto nesse lugar. Mas essa conversa é sobre dar-se a ver... Ou seja, deixar ser encontrada e desejar isso.
O amor é esse encontro. Dá pra tropeçar no amor e não pedir desculpa, o amor como uma cadeira no lugar de sempre no dia errado e quem sofre é o dedo mindinho.
Imagina encontrar o amor desprevenido? Pelado, sujo, cheirando mal, com o cabelo bagunçado... Isso faz todo sentido e ser amado recompensa os dias mais sem graça da vida.
Ser amado é ser achado por um coração a espera. Eu não sei se acredito em milagres, mas nas causas impossíveis, eu acredito.
Hoje, 9 de junho, é aniversário do meu primeiro namorado, um amor que eu não conseguia enxergar e fazia tudo por mim. Ele me mimou como nunca antes e eu fiquei arrogante, amar parecia fácil demais. Eu merecia aquilo, mas ele adoecia quando eu me afastava. Foi assim...
Depois achei o amor da minha vida, quase 9 anos de sonhos e muita parceria. Tinha um pai, um irmão, um amigo e um amor na mesma pessoa. E eu derramava todas as minhas dores no seu corpo. E ele sofreu demais, eu também. Mas eu quase não sentia sua dor, ele me protegia de todo jeito. Embora tenha sofrido até perder a noção de dor.
Ele se afastou demais e isso volta aos fins de semana em que ele não pega nosso filho, ou feriados em que eu falto morrer de saudade do pequeno que me liga de madrugada pra dormir em paz.
Nessa parte da ligação na madrugada, então, tem mais de uma pessoa nesse sintoma. Porém, sobre uma delas até sei bastante coisa, mas nada do que ele sente, e isso faz muita diferença, como ele ir embora sempre.
Hcqf (26) 9 de junho de (2017)/2026
sábado, 6 de junho de 2026
Outro avião de partida
Você me diz: "como amiga"
Sobre palavras alheias
Coloca uma barreira
E entrega sua alma.
Como pode ser amiga?
a pessoa que não bate na porta?
ou derrama suas dores e vai embora?
Não se preocupa
Com o que provoca
Não quer saber onde toca
Não está em si
Com certeza
Diz sua alma:
"Não consigo achar o amor que quero
Alguém melhor me dá um tapa"
E depois se defende de uma pergunta inaudita
"Essa música não é uma próxima trilha romântica para ninguém, é ancestral..."
Então reconheço
E te escuto como a um amigo
Mas não como você mesmo
Em outra versão da sua canção:
"Não consigo [te chamar] amor que quero
[Sempre tem] alguém melhor
me dá um tapa [e me sacode o pó]".
Não é uma alma amiga
quem nunca diz a que veio
que só fala se quiser
E se alguma vez pergunta:
"Precisa de ajuda?"
Não volta para saber a resposta
Era só mais uma mentira
Na última janela da madrugada
Da cidade onde você mora
Chegou um outro avião
Que você espera ir embora
Quando enferrujar a carcaça
A quem dedica o refrão:
"Eu posso fazer desaparecer
[O passado]
Não tenha medo"
Mas eu sei que não pode
E essa dor de saber
Ninguém suporta
Diz para eu entender
"Como amiga"
Sem saber
As consequências
Hcqf [26 de maio], 07 de junho de 2026
Not about luck
De madrugada,
outra cena inusitada
um quarto, a luz quase não entra
A cama arrumada,
ela escondida no lençol pesado
ele, descoberto, olhando pro nada
Ela tenta contato
Ele parece estar só
Um aviso
Diz, assim, de noites solitárias
Cantando sozinho
Transforma sua cantora favorita em fantasma
Para coloca a outra no lugar que tive na sua casa
Nas madrugadas esmagando a pequena
Not about love
Avisa a música
HCQF 26 de maio de 2026
segunda-feira, 25 de maio de 2026
Você não teme me jogar aos leões
Ou me dar de bandeja a qualquer fera faminta...
Joga com o meu corpo.
Me deixa com frio do lado de fora
Me vê murchar diante dos seus olhos
Me esconde das pessoas
E diz que não quer "mais" atrapalhar minha vida
Admitindo que essa sempre foi uma opção que você tinha.
E nunca escolheu.
Hcqf 24 de maio de 2026
domingo, 24 de maio de 2026
A próxima
mas não como as outras
Aquela
perdida na adolescência
jamais esquecida
A próxima
chance de dar certo
para a família
A próxima esposa
Marina
e não Luna
Outra história
sobre não ser satélite
ter luz própria
como alguém que cria as fábulas
ao invés de conta-las
ou escuta-las.
A próxima
das manhãs e fins de semana.
das noites de sonos tranquilos
seguros em casa
Sem madrugadas
in state of emergency
na larva
A próxima escolhida
à luz do dia
sem amanheceres
do lado de fora.
Hcqf 24 de maio de 2026