segunda-feira, 8 de junho de 2026

 Tem uma música que eu canto desde o dia que eu vi uma amiga cantar pro pai dela que morreu.

Uma música sobre o pai morto da minha amiga. Um homem que ela via grande, mas que era pequeno e fazia todos parecerem personagens de circo.

No dia que não consegui ver esse filme, na tv, eu chorei muito, como não pude chorar quando meu pai morreu.

A família que seria a do meu filho, não fez menor questão da morte do meu pai, e aquilo doeu e acabou de uma vez com meu casamento. Nenhum deles se importou com a menina que não teve pai e o tio, todo errado, ocupou essa posição com algum amor.

Eu digo algum amor, porque estou com o coração partido... Agora parece que nunca vi o amor de perto, parece que ele sempre tava longe, como uma praia no horizonte, e eu no dira do no deserto.

Faz tempo que estou para ter essa conversa comigo, sobre o dia que eu descobri que não tinha pai, porque meu tio era o pai que eu tinha. Nesse dia, eu lembrei que irmão não pode namorar, irmão e meu Édipo foi se resolvendo caindo igual pedra na minha cabeça.

Não dá, não dá, não tem.

Então, só depois vi meu pai... Um homem todo errado, cheio de provações e erros... Daí pra gente achei que ter um pai era um privilégio, tipo morar numa casa linda, em um bairro bom de uma cidade qualquer. Eu nunca tive isso. Agora tenho um bairro bom, numa cidade qualquer, numa casa que precisa pintar.

E esse meu pai, me chegou durante muito tempo, com uma grandeza que escondia a pequenez viva da minha mãe. Quer dizer, doer um ali morto era mais fácil que amar uma mãe com defeitos, humana, mulher... Que agora eu sou.

Cometi um erro no trabalho, que pode me custar os dias de folga que não tive esse semestre. Preciso desacelerar e focar na escrita que amo. Mas hoje tenho priorizado fazer dividas.

Talvez o corte deva começar por aí, claro que depois do que realmente precisei fazer: costurar meu coração. Tecer meu ninho é sempre isso que faço e desfaço... Ora sem dor, ora com muita dor.

Não sou um passarinho. Tenho que ter uma casa e minha mãe tá muito velhinha. Já viu de tudo, menos eu ter uma casa.

É, eu tô chorando... Sonhei um lar com viagens pro exterior... Arrebentei essa fechadura e fui embora. Era muito seguro, tinha um cômodo para fuga de tempestade e furacão e tudo. Eu não sei o que fiz.

 Precisei sair, queria sentir de novo meu peito. Senti e as vezes é quase fulminante. Meu peito fala uma língua muito pretensiosa, é egoísta, as vezes agressivo, quase nunca se importa comigo.

Esses dias me apresentou "A próxima" e quase um mês depois "Uma outra", estou deixando de acreditar no amor, como quando eu tinha 13 anos e sentia saudade de ter pai. Mas com 10 anos tive medo de perder minha mãe para uma namorado dela, depois com 15 anos, senti o medo mais forte de todos, a mort.

Estou até e hoje sofrendo isso... No quero prensar, fico ignorando a possibilidade... Coloquei ela no lugar mais importante da minha rotina, ao lado do meu filho. Os dois ao meu lado e eu suspirando pra esquina.

Preciso sermos honesta comigo... É mais fácil pensar na minha morte, com eles, do que na minha vida sem eles. Olho pro lado e vejo o distante para não ver quem tá próximo.

A minha casa tá uma bagunça, tenho muitas cousas para resolver, enquanto derramo sabedoria na esquina. Eu disse: depois vai doer mais em você... Sabendo que isso seria o peso ao quadrado em mim.

A gente não sente a própria morte. Sente o medo da morte e isso é terrível. Mas medo de perder quem ama. Nossa, esfria até congelar.

É o amor que faz a gente sentir o peito do outro, tipo quando a criança deita abraçada com a mãe para sentir se ela está respirando, senão acaba tudo. E não acaba, mas fica muito diferente e mais sério, e mais triste.

Eu disse: "respeita o coração dela senão vai doer mais em ti", enquanto me protegia de toda dor que me causei para não ver ele mais triste do que sempre. Toda dor que segurei para tentar ele parar de me fazer chorar com ele. Todas as vezes que ele sentir colocou alguém na minha gente, para eu brilhar só de madrugada para ele. E é suficiente?

Sempre quis ser o céu de alguém, mas amor era tipo esperar a estrela cair para fazer um pedido. E o mar sabe mais da realização de sonhos que qualquer ser humano vivo.

Eu quero que ele sinta minha falta e possa me ligar, mas eu não ligo pra ele. Eu quero que ele me conter onde ele sabe que posso estar, mas eu não frequento esses lugares sem ele 

Eu quero que ele me faça uma surpresa e me devolva a magia do amor que acontece, mas ele não me vê, nem se eu estiver nua na frente dele.

Não tem ninguém ali onde ele me colocou. Qualquer pessoa ocupa o meu lugar de analista e a transferência é um falso amor.

Sempre digo que não é um "amor falso", mas não é de quem está ali bem na frente, é tipo o lugar mais escuro estar bem embaixo da lâmpada, faz todo sentido, não ver ou ser visto nesse lugar. Mas essa conversa é sobre dar-se a ver... Ou seja, deixar ser encontrada e desejar isso.

O amor é esse encontro. Dá pra tropeçar no amor e não pedir desculpa, o amor como uma cadeira no lugard e sempre no dia errado e quem sofre é o dedo mindinho.

Imagina encontrar o amor desprevenido? Pelado, sujo, cheirando mal, com o cabelo bagunçado... Isso faz todo sentido e ser amado recompensa os dias mais sem graça da vida.

Ser amado é ser achado por um coração a espera. Eu naos ei se acredito em milagres, mas nas casas impossíveis, eu acredito.

Hoje, 9 de junho, é aniversário do meu primeiro namorado, que ele amor que eu não conseguia enxergar e fazia tudo por mim. Ele me mimou como nunca antes e eu fiquei arrogante, amar parecia fácil demais. Eu merecia aquilo! Ele adoecia quando eu me afastava.

Depois achei o amor da minha vida, quase 9 anos de sonhos e muita parceria. Tinha um pai, um irmão, uma amigo e um amor na mesma pessoa. E eu derramava todas as minhas dores no seu corpo. Relatório sofreu demais, eu também. Mas eu quase não sentia sua dor, ele me protegia de todo jeito. Embora tenha sofrido até perder a noção de dor. Ele se afastou demais e isso foi, aos fins de semana em que ele não pega nosso filho, ou feriados em que eu falto morrer de saudade do pequeno que me liga de madrugada pra dormir em paz.

Temos umas pessoas nessa sintoma frase, mas uma delas eu sei muita coisa, mas nado do que ele sente é isso faz muita diferença e ele vai embora sempre.

Hcqf (26) 9 de junho de (2017)/2026


sábado, 6 de junho de 2026

Outro avião de partida

 Você me diz: "como amiga"

Sobre palavras alheias

Coloca uma barreira

E entrega sua alma.


Como pode ser amiga?

a pessoa que não bate na porta? 

ou derrama suas dores e vai embora?


Não se preocupa

Com o que provoca 

Não quer saber onde toca 

Não está em si 

Com certeza 


Diz sua alma:

"Não consigo achar o amor que quero 

Alguém melhor me dá um tapa"

E depois se defende de uma pergunta inaudita

"Essa música não é uma próxima trilha romântica para ninguém, é ancestral..."


Então reconheço 

E te escuto como a um amigo

Mas não como você mesmo

Em outra versão da sua canção:

"Não consigo [te chamar] amor que quero

[Sempre tem] alguém melhor 

me dá um tapa [e me sacode o pó]".


Não é uma alma amiga 

quem nunca diz a que veio 

que só fala se quiser 

E se alguma vez pergunta:

"Precisa de ajuda?"

Não volta para saber a resposta 


Era só mais uma mentira

Na última janela da madrugada 

Da cidade onde você mora


Chegou um outro avião

Que você espera ir embora 

Quando enferrujar a carcaça 

A quem dedica o refrão:

"Eu posso fazer desaparecer 

[O passado]

Não tenha medo"

Mas eu sei que não pode 

E essa dor de saber

Ninguém suporta


Diz para eu entender 

"Como amiga"

Sem saber

As consequências


Hcqf [26 de maio], 07 de junho de 2026


Not about luck

De madrugada, outra cena inusitada

Um quarto, a luz quase não entra

A cama arrumada,

Ela escondida no lençol pesado

Ele, descoberto, olhando pro nada 

Ela tenta contato

Ele parece sozinho

Um aviso

Então ele diz de noites solitárias 

Cantando sozinho

Transforma sua cantora favorita em fantasma

 Para coloca a outra no lugar que tinha na sua casa

Nas madrugadas esmagando a pequena 

Not about love

Avisa a música 

26 de maio de 2026

segunda-feira, 25 de maio de 2026

 Você não teme me jogar aos leões 

Ou me dar de bandeja a qualquer fera faminta...

Joga com o meu corpo.

Me deixa com frio do lado de fora

Me vê murchar diante dos seus olhos

Me esconde das pessoas 

E diz que não quer "mais" atrapalhar minha vida

Admitindo que essa sempre foi uma opção que você tinha.

E nunca escolheu.

Hcqf 24 de maio de 2026

domingo, 24 de maio de 2026

 A próxima 

Mas não como as outras

Aquela

Perdida na adolescência 

Jamais esquecida 


A próxima chance 

De dar certo

Para a família 


A próxima esposa 

Marina

e não Luna


Outra história

Sobre não ser satélite 

Ter luz própria 


Como alguém que cria as fábulas

Ao invés de conta-las

Ou escuta-las.


A próxima 

Das manhãs e

Fins de semana.


Das noites

De sonos tranquilos

Seguros em casa,


Sem madrugadas

In state of emergency

Na larva.


A próxima escolhida 

À luz do dia

Sem amanheceres 

Do lado de fora.


Hcqf 24 de maio de 2026


sábado, 23 de maio de 2026

Alchool... idólatra.

Perguntei quem era e você disse "a próxima". Entendi... ela era especial, diferente de alguém cuja vez nunca chega.

E disse para não desperdiçar outra cama à sua espera, nem outra companhia, pois "deve(ria) ter (outro)alguém que queira uma (outra)mulher bonita".

Anne, com "E", me contou o segredo: "não ter medo de ser devolvido". Entendi, também, que era sobre destinatário. 

Quando eu era criança pensei que era sobre não ter medo. Mas a casa importa. Diz a música: "a porta que se fecha na tempestade" e molha quem está fora.

Você contou coisas sobre ser um utensílio, embora quando inútil. Lembrei dos panos empoeirados das avós, que são inesquecíveis.

Assim a órfã explicou sobre o amor ao relento, como a raiz da roseira alimenta uma solidão e ao ser retirada, cada pétala (e não a rosa) canta uma "estrela caindo bem devagar" a realizar sonhos sobre (a)mar, diz o poeta na canção.

Escutei seu olhar, de cima para mim, em outra esquina por aí... Onde estive a olhar, do lado de fora, um pai feliz que eu nunca tive.
Milagres: a casa, as pétalas, o pai e não ser devolvida.

Hcqf 23 de maio 2026