Tem uma música que eu canto desde o dia que eu vi uma amiga cantar pro pai dela que morreu.
Uma música sobre o pai morto da minha amiga. Um homem que ela via grande, mas que era pequeno e fazia todos parecerem personagens de circo.
No dia que não consegui ver esse filme, na tv, eu chorei muito, como não pude chorar quando meu pai morreu.
A família que seria a do meu filho, não fez menor questão da morte do meu pai, e aquilo doeu e acabou de uma vez com meu casamento. Nenhum deles se importou com a menina que não teve pai e o tio, todo errado, ocupou essa posição com algum amor.
Eu digo algum amor, porque estou com o coração partido... Agora parece que nunca vi o amor de perto, parece que ele sempre tava longe, como uma praia no horizonte, e eu no dira do no deserto.
Faz tempo que estou para ter essa conversa comigo, sobre o dia que eu descobri que não tinha pai, porque meu tio era o pai que eu tinha. Nesse dia, eu lembrei que irmão não pode namorar, irmão e meu Édipo foi se resolvendo caindo igual pedra na minha cabeça.
Não dá, não dá, não tem.
Então, só depois vi meu pai... Um homem todo errado, cheio de provações e erros... Daí pra gente achei que ter um pai era um privilégio, tipo morar numa casa linda, em um bairro bom de uma cidade qualquer. Eu nunca tive isso. Agora tenho um bairro bom, numa cidade qualquer, numa casa que precisa pintar.
E esse meu pai, me chegou durante muito tempo, com uma grandeza que escondia a pequenez viva da minha mãe. Quer dizer, doer um ali morto era mais fácil que amar uma mãe com defeitos, humana, mulher... Que agora eu sou.
Cometi um erro no trabalho, que pode me custar os dias de folga que não tive esse semestre. Preciso desacelerar e focar na escrita que amo. Mas hoje tenho priorizado fazer dividas.
Talvez o corte deva começar por aí, claro que depois do que realmente precisei fazer: costurar meu coração. Tecer meu ninho é sempre isso que faço e desfaço... Ora sem dor, ora com muita dor.
Não sou um passarinho. Tenho que ter uma casa e minha mãe tá muito velhinha. Já viu de tudo, menos eu ter uma casa.
É, eu tô chorando... Sonhei um lar com viagens pro exterior... Arrebentei essa fechadura e fui embora. Era muito seguro, tinha um cômodo para fuga de tempestade e furacão e tudo. Eu não sei o que fiz.
Precisei sair, queria sentir de novo meu peito. Senti e as vezes é quase fulminante. Meu peito fala uma língua muito pretensiosa, é egoísta, as vezes agressivo, quase nunca se importa comigo.
Esses dias me apresentou "A próxima" e quase um mês depois "Uma outra", estou deixando de acreditar no amor, como quando eu tinha 13 anos e sentia saudade de ter pai. Mas com 10 anos tive medo de perder minha mãe para uma namorado dela, depois com 15 anos, senti o medo mais forte de todos, a mort.
Estou até e hoje sofrendo isso... No quero prensar, fico ignorando a possibilidade... Coloquei ela no lugar mais importante da minha rotina, ao lado do meu filho. Os dois ao meu lado e eu suspirando pra esquina.
Preciso sermos honesta comigo... É mais fácil pensar na minha morte, com eles, do que na minha vida sem eles. Olho pro lado e vejo o distante para não ver quem tá próximo.
A minha casa tá uma bagunça, tenho muitas cousas para resolver, enquanto derramo sabedoria na esquina. Eu disse: depois vai doer mais em você... Sabendo que isso seria o peso ao quadrado em mim.
A gente não sente a própria morte. Sente o medo da morte e isso é terrível. Mas medo de perder quem ama. Nossa, esfria até congelar.
É o amor que faz a gente sentir o peito do outro, tipo quando a criança deita abraçada com a mãe para sentir se ela está respirando, senão acaba tudo. E não acaba, mas fica muito diferente e mais sério, e mais triste.
Eu disse: "respeita o coração dela senão vai doer mais em ti", enquanto me protegia de toda dor que me causei para não ver ele mais triste do que sempre. Toda dor que segurei para tentar ele parar de me fazer chorar com ele. Todas as vezes que ele sentir colocou alguém na minha gente, para eu brilhar só de madrugada para ele. E é suficiente?
Sempre quis ser o céu de alguém, mas amor era tipo esperar a estrela cair para fazer um pedido. E o mar sabe mais da realização de sonhos que qualquer ser humano vivo.
Eu quero que ele sinta minha falta e possa me ligar, mas eu não ligo pra ele. Eu quero que ele me conter onde ele sabe que posso estar, mas eu não frequento esses lugares sem ele
Eu quero que ele me faça uma surpresa e me devolva a magia do amor que acontece, mas ele não me vê, nem se eu estiver nua na frente dele.
Não tem ninguém ali onde ele me colocou. Qualquer pessoa ocupa o meu lugar de analista e a transferência é um falso amor.
Sempre digo que não é um "amor falso", mas não é de quem está ali bem na frente, é tipo o lugar mais escuro estar bem embaixo da lâmpada, faz todo sentido, não ver ou ser visto nesse lugar. Mas essa conversa é sobre dar-se a ver... Ou seja, deixar ser encontrada e desejar isso.
O amor é esse encontro. Dá pra tropeçar no amor e não pedir desculpa, o amor como uma cadeira no lugard e sempre no dia errado e quem sofre é o dedo mindinho.
Imagina encontrar o amor desprevenido? Pelado, sujo, cheirando mal, com o cabelo bagunçado... Isso faz todo sentido e ser amado recompensa os dias mais sem graça da vida.
Ser amado é ser achado por um coração a espera. Eu naos ei se acredito em milagres, mas nas casas impossíveis, eu acredito.
Hoje, 9 de junho, é aniversário do meu primeiro namorado, que ele amor que eu não conseguia enxergar e fazia tudo por mim. Ele me mimou como nunca antes e eu fiquei arrogante, amar parecia fácil demais. Eu merecia aquilo! Ele adoecia quando eu me afastava.
Depois achei o amor da minha vida, quase 9 anos de sonhos e muita parceria. Tinha um pai, um irmão, uma amigo e um amor na mesma pessoa. E eu derramava todas as minhas dores no seu corpo. Relatório sofreu demais, eu também. Mas eu quase não sentia sua dor, ele me protegia de todo jeito. Embora tenha sofrido até perder a noção de dor. Ele se afastou demais e isso foi, aos fins de semana em que ele não pega nosso filho, ou feriados em que eu falto morrer de saudade do pequeno que me liga de madrugada pra dormir em paz.
Temos umas pessoas nessa sintoma frase, mas uma delas eu sei muita coisa, mas nado do que ele sente é isso faz muita diferença e ele vai embora sempre.
Hcqf (26) 9 de junho de (2017)/2026