domingo, 21 de junho de 2026
Future days
Você diz que meu ciúme nunca vai te deixar esquecer das outras mulheres
Ou diz que as músicas são sobre você e não sobre suas amadas recentes, ou de antes
Pede para eu respeitar sua playlist anterior a qualquer amante
Diz que quer ir embora, mas precisa me ver partir
Ou seja, me diz que te faço enxergar coisas que não quer ver
Já não aguenta mais minhas lamúrias
Horas e horas de palavras sem fim
Coisas que doem sobre os personagens favoritos da sua história
Coisas que ficam com você sobre minhas interpretações
Desnecessárias, equivocadas, fantasiosas
Dizem seus amigos, agora
Tem brincado com uma falsa lembrança
que quer construir em mim
Um pai atravessando uma rua
Na verdade uma vingança contra as vezes que me escuta
Uma covardia entre tantas
Para que devo esquecer quem você escolhe para me preterir?
Para que quer limpar sua imagem comigo?
Que diferença faz para os seus novos rumos?
Para me tirar do seu pensamento
Deixar de ouvir meus conselhos
Respeitar minha foto na sua janela sem querer bater
É preciso deixar de me amar com esse gozo fúnebre
É preciso aceitar que andei ao seu lado
Por seus lugares favoritos e nos seus in-cômodos
Reconhecer que sei quem são seus amigos e inimigos
As vezes no mesmo homem
Que dói sua família
Como a qualquer um
Não é um privilégio de ser órfão
Que foi você quem abriu a porta do seu sarcófago na cidade nova
Que as madrugadas são suas horas mais duras e as que mais gosta
Que cultivamos a noite como a uma musa
Que eu sei que você não tem uma banda favorita
Nem sequer uma música mais escutada
A não ser em uma semana apaixonado
pelo frisson de recomeçar de um outro modo
E voltar a ser o mesmo depois de um tempo
Que tem playlists esquisitas
Gosta de bandas desconhecidas
E não sabe quase nada sobre mim
Que desperdiçou todas as chances de conhecer minha família
Que tem medo da voz e dos olhos do meu filho
E não sabe como pode ser tão decepcionante comigo
Agora diz em tom ofensivo
Que ficcionalizo feito Clarice
Uma mentira que seu gosto literário denuncia
Pois Lispector traduziu a realidade
Inclusive a psíquica
E você sabe
Mas só escondendo de si a minha verdade
Acredita que poderá seguir em frente
Limpo, medicado, mais magro
Amante de outra vida
Diferente da gente
Fica para sempre
O cachorro do Alice no seu braço
Os elogios que me (im)pede
Os seus melhores beijos para outros lábios
Os amores que deseja
Os filmes que não veremos
E a estrela a brilhar em outro céu
Depois de desperdiçar madrugadas comigo
Hcqf 22 de junho de 2026
Escrevo para perder de vez
esa vana costumbre que me inclina
al Sur, a cierta puerta, a cierta esquina."
Me duele [un hombre] en todo el cuerpo."
cuántos lugares se han tornado vanos
y sin sentido, iguales
a luces en el día.
Tardes que fueron nicho de tu imagen,
músicas en que siempre me aguardabas,
palabras de aquel tiempo,
yo tendré que quebrarlas con mis manos. "
compulsão ao sofrimento
É preciso muito ódio contra si
Para se permitir estar com um homem desprezível
E é de um ódio enraizado
Gerações sem elaboração
Para poder escutar histórias que degradam outras mulheres
Ou colocam outras mulheres
Em perigo ou em maus lençóis
Deixar de frequentar às esquinas com um covarde
Para reconhecer um banquete quando é servido
É a única saída da compulsão ao sofrimento
HCQF 21 de junho de 2026
sexta-feira, 19 de junho de 2026
Depois da síntese
Jamais teria ido embora
Sem que ele tivesse pedido
Não agora
Antes da tese final
Sem entender a violência da síntese
Das madrugadas em que me afasta
Pedindo para estar com ele
Mas para o Amor
Todo pedido é uma ordem
Mesmo a de despejo
Toda antítese
É necessária
Que seja para desfaze-la
E o espírito aguçado
Pela partida
Tenta renegar a espera
Até não ter mais notícias
E a história falar em saudade
E esconder o resto
Hcqf 20 de junho
Um excelente amigo
sexta-feira, 12 de junho de 2026
O dia certo
Ele diz que parou de tomar o remédio
Mas que quer voltar
para ficar com ela e ficar melhor...
Estou esse tempo que ele passou sem medicação
Sem dormir direito
Desde a primeira ligação da madrugada
que eu não atendi por ainda estar dormindo
Desde lá,
alterno dias que o sono vence e outros que o cansaço perde
à espera da ligação que não era para existir
Ele diz que a Próxima pediu para ele "segurar a onda" da bebida
Que espera passar a pressão da qualificação e depois eles podem voltar
Ou seja, a próxima deixou ele para depois
E ele aceitou, medicado, recolhido, lendo as manhãs no Marajó...
Enquanto eu gastei lágrimas de esperança achando que tinha chegado a minha vez.
Mas sempre chega essa hora,
Fico por alguns meses do ano tranquila, longe dele
Semanas sem telefonemas sem sentido
Meses sem músicas desesperadas
Dias e dias reaprendendo meus gostos
Meus cômodos
As pessoas que realmente me tem
E quem realmente me quer
Da última vez ele disse que eu deveria
Dar uma chance para as pessoas que me procuram
Mesmo que fosse para ter intimidade com qualquer um(a)
Ficou muito claro o quanto a minha existência incomoda
Claro que doeu
Depois veio a visita amarga
Encontrou a porta aberta,
entrou e me empurrou para o carro
A proteção de um desconhecido
Me fez acordar do pesadelo
E proteger a minha casa
Doeu ter passado por isso
Nenhuma intimidade é real
Depois de me fisgar
Pela fantasia da data
Ele usa uma violência
Uma menina muito mais nova com meu corpo
A namorada ideal que nunca fui
como assunto para me afastar
Foi ao médico
Ajustou a dose da medicação
Vai ficar recolhidinho em casa
Não precisa da minha ajuda para nada
Não quer que a minha esperança
Sonde-o
Ele já me deu tantas vezes esse recado
Alguma hora preciso aceitar
Que aquela janela já não existe mais
Vai ver nunca existiu
Ele tem planos de melhorar
Encontrar uma pessoa que quer ele limpo
E ele quer essa ou qualquer outra
Só precisa que eu tranque a minha janela
Não atenda suas ligações nas madrugadas de porre
E nunca mais abra a porta para ele.
Hcqf 12 de junho de 2026
quinta-feira, 11 de junho de 2026
A house doesn't make a home
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Uma música sobre o pai morto da minha amiga
Tem uma música que eu canto desde o dia que eu vi uma amiga cantar para o pai dela que morreu. Um homem que ela via grande, mas que era pequeno e fazia todos parecerem personagens de circo.
No dia que não consegui ver esse filme, na tv, eu chorei muito, como não pude chorar quando meu pai morreu...
A família que seria a do meu filho, não fez sequer a menor questão da morte do meu pai e aquilo doeu e acabou de uma vez com meu casamento. Nenhum deles se importou com a menina que não teve pai e o tio, todo errado, ocupou essa posição com algum amor.
Eu digo algum amor, porque estou com o coração partido... Agora parece que nunca vi o amor de perto, parece que ele sempre estava longe, como uma praia no horizonte... e eu no deserto.
Faz tempo que estou para ter essa conversa comigo, sobre o dia que eu descobri que não tinha pai, porque meu tio era o pai que eu tinha. Nesse dia, eu lembrei que irmão não pode namorar irmão e meu Édipo foi se resolvendo caindo igual pedra na minha cabeça.
Não dá, não dá, não tem.
Então, só depois vi meu pai... Um homem todo errado, cheio de provações e erros... Daí pra frente/gente achei que ter um pai era um privilégio, tipo morar numa casa linda, em um bairro bom de uma cidade qualquer. Eu nunca tive isso. Agora tenho um bairro bom, numa cidade qualquer, numa casa que precisa pintar/reformar.
E esse meu pai, a mim chegou ao longo de muito tempo, com uma grandeza que escondia a pequenez viva da minha mãe. Quer dizer, doer um pai morto era mais fácil que amar uma mãe com defeitos, humana, mulher... Que agora eu sou.
Cometi um erro no trabalho, que pode me custar os dias de folga que não tive esse semestre. Preciso desacelerar e focar na escrita que amo. Mas hoje tenho priorizado fazer dividas.
Talvez o corte deva começar por aí, claro que depois do que realmente precisei fazer: costurar meu coração. Tecer meu ninho é sempre isso que faço e desfaço... Ora sem dor, ora com muita dor.
Não sou um passarinho. Tenho que ter uma casa e minha mãe tá muito velhinha. Já viu de tudo, menos eu ter uma casa.
É, eu estou chorando... Sonhei um lar com viagens pro exterior... Arrebentei essa fechadura e fui embora. Era muito seguro, tinha um cômodo para fuga de tempestade, furacão e tudo. Eu não sei o que fiz.
Precisei sair, queria sentir de novo meu peito. Senti e as vezes é quase fulminante. Meu peito fala uma língua muito pretensiosa, é egoísta, as vezes agressivo, quase nunca se importa comigo. Esses dias me apresentou "A próxima" e quase um mês depois "Uma outra"... Estou deixando de acreditar no amor, como quando eu tinha 13 anos e sentia saudade de ter pai. Mas com 10 anos tive medo de perder minha mãe para um namorado dela, depois com 15 anos senti o medo mais forte de todos, um enfarte, um cateterismo...
Estou até hoje sofrendo isso... Não quero pensar, fico ignorando a possibilidade... Coloquei ela no lugar mais importante da minha rotina com meu filho. Os dois ao meu lado e eu suspirando para a esquina.
Preciso ser mais honesta comigo... É mais fácil pensar na minha morte/sorte, com eles, do que na minha vida/morte sem eles. Olho para o lado e vejo o distante para não ver quem tá próximo.
A minha casa tá uma bagunça, tenho muitas coisas para resolver, enquanto derramo sabedoria na esquina. Eu disse: "depois vai doer mais em você"... Sabendo que isso seria o peso ao quadrado em mim.
A gente não sente a própria morte. Sente o medo da morte e isso é terrível. Mas medo de perder quem ama... Nossa, esfria até congelar.
É o amor que faz a gente sentir o peito do outro, tipo quando a criança deita abraçada com a mãe para sentir se ela está respirando, senão acaba tudo. E não acaba, mas fica muito diferente e mais sério e mais triste.
Eu disse: "respeita o coração dela senão vai doer mais em ti", enquanto me protegia de toda dor que me causei para não ver ele mais triste do que sempre. Toda dor que segurei para tentar fazer ele parar de me fazer chorar. Todas as vezes que ele colocou alguém diante de mim ou na minha frente. Assim me fez brilhar só de madrugada pra ele. E é suficiente?
Sempre quis ser o céu de alguém, mas amor era tipo esperar a estrela cair para fazer um pedido. E o mar sabe mais da realização de sonhos que qualquer ser humano vivo.
Eu quero vê-lo sentir minha falta e me ligar, mas eu não ligo. Eu quero que ele me encontre/contenha onde sabe que posso estar, mas eu não frequento esses lugares sem ele.
Eu quero que me faça uma surpresa e devolva a magia do amor, mas não me vê, nem se eu estiver nua na sua frente. Não tem ninguém ali onde ele me colocou. Qualquer pessoa ocupa o meu lugar de analista e a transferência é um falso amor.
Sempre digo que não é um "amor falso", mas não é de quem está ali bem na frente... Tal qual o lugar mais escuro ficar bem embaixo da lâmpada, faz todo sentido, não ver ou ser visto nesse lugar. Mas essa conversa é sobre dar-se a ver... Ou seja, deixar ser encontrada e desejar isso.
O amor é esse encontro. Dá pra tropeçar no amor e não pedir desculpa, o amor como uma cadeira no lugar de sempre no dia errado e quem sofre é o dedo mindinho.
Imagina encontrar o amor desprevenido? Pelado, sujo, cheirando mal, com o cabelo bagunçado... Isso faz todo sentido e ser amado recompensa os dias mais sem graça da vida.
Ser amado é ser achado por um coração a espera. Eu não sei se acredito em milagres, mas nas causas impossíveis, eu acredito.
Hoje, 9 de junho, é aniversário do meu primeiro namorado, um amor que eu não conseguia enxergar e fazia tudo por mim. Ele me mimou como nunca antes e eu fiquei arrogante, amar parecia fácil demais. Eu merecia aquilo, mas ele adoecia quando eu me afastava. Foi assim...
Depois achei o amor da minha vida, quase 9 anos de sonhos e muita parceria. Tinha um pai, um irmão, um amigo e um amor na mesma pessoa. E eu derramava todas as minhas dores no seu corpo. E ele sofreu demais, eu também. Mas eu quase não sentia sua dor, ele me protegia de todo jeito. Embora tenha sofrido até perder a noção de dor.
Ele se afastou demais e isso volta aos fins de semana em que ele não pega nosso filho, ou feriados em que eu falto morrer de saudade do pequeno que me liga de madrugada pra dormir em paz.
Nessa parte da ligação na madrugada, então, tem mais de uma pessoa nesse sintoma. Porém, sobre uma delas até sei bastante coisa, mas nada do que ele sente, e isso faz muita diferença, como ele ir embora sempre.
Hcqf (26) 9 de junho de (2017)/2026
sábado, 6 de junho de 2026
Outro avião de partida
Você me diz: "como amiga"
Sobre palavras alheias
Coloca uma barreira
E entrega sua alma.
Como pode ser amiga?
a pessoa que não bate na porta?
ou derrama suas dores e vai embora?
Não se preocupa
Com o que provoca
Não quer saber onde toca
Não está em si
Com certeza
Diz sua alma:
"Não consigo achar o amor que quero
Alguém melhor me dá um tapa"
E depois se defende de uma pergunta inaudita
"Essa música não é uma próxima trilha romântica para ninguém, é ancestral..."
Então reconheço
E te escuto como a um amigo
Mas não como você mesmo
Em outra versão da sua canção:
"Não consigo [te chamar] amor que quero
[Sempre tem] alguém melhor
me dá um tapa [e me sacode o pó]".
Não é uma alma amiga
quem nunca diz a que veio
que só fala se quiser
E se alguma vez pergunta:
"Precisa de ajuda?"
Não volta para saber a resposta
Era só mais uma mentira
Na última janela da madrugada
Da cidade onde você mora
Chegou um outro avião
Que você espera ir embora
Quando enferrujar a carcaça
A quem dedica o refrão:
"Eu posso fazer desaparecer
[O passado]
Não tenha medo"
Mas eu sei que não pode
E essa dor de saber
Ninguém suporta
Diz para eu entender
"Como amiga"
Sem saber
As consequências
Hcqf [26 de maio], 07 de junho de 2026
Not about luck
De madrugada,
outra cena inusitada
um quarto, a luz quase não entra
A cama arrumada,
ela escondida no lençol pesado
ele, descoberto, olhando pro nada
Ela tenta contato
Ele parece estar só
Um aviso
Diz, assim, de noites solitárias
Cantando sozinho
Transforma sua cantora favorita em fantasma
Para coloca a outra no lugar que tive na sua casa
Nas madrugadas esmagando a pequena
Not about love
Avisa a música
HCQF 26 de maio de 2026
segunda-feira, 25 de maio de 2026
Você não teme me jogar aos leões
Ou me dar de bandeja a qualquer fera faminta...
Joga com o meu corpo.
Me deixa com frio do lado de fora
Me vê murchar diante dos seus olhos
Me esconde das pessoas
E diz que não quer "mais" atrapalhar minha vida
Admitindo que essa sempre foi uma opção que você tinha.
E nunca escolheu.
Hcqf 24 de maio de 2026
domingo, 24 de maio de 2026
A próxima
mas não como as outras
Aquela
perdida na adolescência
jamais esquecida
A próxima
chance de dar certo
para a família
A próxima esposa
Marina
e não Luna
Outra história
sobre não ser satélite
ter luz própria
como alguém que cria as fábulas
ao invés de conta-las
ou escuta-las.
A próxima
das manhãs e fins de semana.
das noites de sonos tranquilos
seguros em casa
Sem madrugadas
in state of emergency
na larva
A próxima escolhida
à luz do dia
sem amanheceres
do lado de fora.
Hcqf 24 de maio de 2026
sábado, 23 de maio de 2026
Alchool... idólatra.
sexta-feira, 15 de maio de 2026
Depois de fazer questão de me decepcionar outra vez... Lembrei do dia que conheci seus estimados leões...
Você disse que me levaria a um almoço. Desta vez, não mais os mesmos ambientes: banquetes, fartura, à luz do dia...
Só não disse que eu seria servida de bandeja. Avaliada, enquanto me alimentava, ou esboçava qualquer pequena expressão...
Foi um dia esquisito.
Cheguei, você comia com seus irmãos, mas não havia ninguém da sua família.
Sentei, você me olhava com desconfiança, parecia que estava diante de advogados: gravatas, sapatos pretos, todos muito sérios... Em meu cabelo, um verde-limão.
Você me ofereceu comida, bebida e até seu terno, mas ninguém me fez companhia.
Todos me olhavam, mas ninguém me via... Fiquei por horas sentada e calada na mesa das mulheres. Elas cantavam, se chamavam de cunhadas, mas nem meu nome perguntaram.
Guardo algumas lembranças desse dia, como você vagando entre as pessoas... Tive medo do seu olhar, estava certa.
Quando as mulheres puxaram assunto comigo, uma delas me chamou mais atenção... Conversamos por horas, eu não soube quase nada dela, nem ela de mim, nem daquele lugar... Uma conversa vazia como aquele dia. Depois de alguns meses você passou a frequentar a casa dela aos finais de semana, sem cautela alguma. Disse que foi gentil e ficou tudo resolvido, menos comigo.
O trecho da música que cantava, enquanto você atravessava o salão, lá longe de mim dizia: "a onda que me arrasta e me leva pro teu mar".
Já naveguei tantos mares ao seu lado. Frequentei seus lugares proibidos, seus piores estados, o escuro da sua alma...
Nunca a sala de casa. Nunca a festa com os amigos. Agora o tema que me oferece é o mesmo tema que de mim retira. Rouba da minha parte do laço e entrega em outros braços, por meses, até cair em si e encontrar meu contato.
Vim a este dia, porque está quase fazendo um ano, de novo. Tantas vezes fui dispensada e nunca deixada em paz. Acho que fui uma presa precária, não sei.
Acho que reprovei em algum teste naquele dia. Você me provou de novo e não quis mais, como sempre.
Mas sempre diz que aquele dia foi importante, como uma casa de herança, um apartamento destruído, suas sacolas de roupas sujas, meus lençóis emprestados, minha camisola escondida, meus amuletos de proteção, a conversa com seu irmão, o dia da chave, o olhar por entre a grande e nunca um feliz dia das mulheres ou das mães.
Acabou, pela primeira vez, comigo, como sempre.
Hcqf 15 de maio de 2026
Carne devastada
Ele me dedica suas piores partes
Consumo como iguarias
Mas são apenas carne apodrecida
Comida de regiões devastadas pela guerra
Insetos, leite coalhado e partes relegadas de animais...
Insumos para sobrevivência em desastres e desertos
Como as nossas madrugadas
Hcqf 15 de maio 2026
sexta-feira, 24 de abril de 2026
quinta-feira, 23 de abril de 2026
Acordei
quinta-feira, 19 de março de 2026
As vezes a noite não termina
Aconteceu,
de novo
Não como antes,
como a primeira vez
Um olhar firme,
uma presença forte, notável, segura
Outra pequena,
mas não miúda como a de sempre.
Essa tão viva, viajada,
bem sucedida, como as outras,
mas não como a de sempre.
Ultrapassa em méritos qualquer uma,
Impõe sua presença,
exige olhares,
perturba amizades
Não como as outras,
embora como a de sempre.
Tolices de uma navegação sem leme
Regada a noites sem dormir,
dias sem sol,
poeira no nariz e fumaça.
Um enredo tão cansativo,
Que as gotas de tinta sufocam a escrita.
As vezes a poesia também termina.
Hcqf 17-24 de março 2026
Dormi
domingo, 8 de março de 2026
sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
Conversas que nunca vão acontecer
- já faz tempo...
- sempre...
- acho que tu sabia que ia acontecer.
- agora não, em 2023 sim (mas talvez só agora eu tenha saído de lá).
- nem sei como pedir desculpas, nems eu se é preciso.
- talvez seja isso o que eu esperei e agora não faz sentido.
- ok, então.
....
- eu não sabia que tinha acontecido, não esperava...
- não aconteceu nada, foi algo passageiro, passou faz algum tempo.
- ele disse que têm quase três anos.
- ele teve três namoradas e vários encontros casuais, comigo foi só isso.
- ele me disse que você o ama.
- ficamos algumas vezes em 2023 e em 2025, não foi nada além disso. Tiveram outras pessoas toda tempo.
- ele me disse que você tem ciúme dele (risos).
- eu nunca fui correspondida, em nada. Fique tranquila. Ele sempre esteve livre
- mas isso impede a nossa amizade.
- se você quiser, sim. Entendo plenamente.
- ele disse que gostou de você.
- não se preocupe, não somos amigos... Ele estava sozinho, eu também... Agora não há motivo para acontecer, como nunca houve.
- mas ele disse que sabe o quanto você o amou e que te feriu.
- isso nunca foi dito.
- estamos juntos, de novo.
- nós nunca estivemos. Fique à vontade.
4 de janeiro 2026 (lua cheia)