domingo, 21 de junho de 2026

Uma mulher para você tem que ser grande 
Não como eu, pequenina 
Tem que ter mais de um metro e cinquenta 
Alta como sua mãe ou você 
Não como eu, insecure

Uma mulher para você tem que ter excelência 
Em tudo
Não pode sair de madrugada de casa
Para encontrar um bêbado 
Não pode se satisfazer com um homem simples
Não pode ser deselegante sobre seus próprios desejos

Uma mulher para você tem que ser a certa
Aquela que vai preferir te ver sóbrio 
Qualificado, de terno e medicado 
Vai aceitar sua depressão 
E te ver como pai
Mesmo que frustrado 

Uma mulher para você não pode ser mãe 
Muito menos de um menino 
Que tem pai 
E frustrar seu sonho de reconstruir sua história 
Com outros personagens 
Escondendo suas falhas 

Uma mulher que não deve esperar que você melhore
Que aceite suas dores como justificativas
E que não te faça querer mudar de verdade 
Apenas superar desafios ordinários
Não a dor de frustrar muitas vezes quem você mais ama
Hcqf 22 de junho de 2026

Future days

 Você diz que meu ciúme nunca vai te deixar esquecer das outras mulheres

Ou diz que as músicas são sobre você e não sobre suas amadas recentes, ou de antes

Pede para eu respeitar sua playlist anterior a qualquer amante 

Diz que quer ir embora, mas precisa me ver partir 

Ou seja, me diz que te faço enxergar coisas que não quer ver


Já não aguenta mais minhas lamúrias

Horas e horas de palavras sem fim

Coisas que doem sobre os personagens favoritos da sua história

Coisas que ficam com você sobre minhas interpretações 

Desnecessárias, equivocadas, fantasiosas 

Dizem seus amigos, agora


Tem brincado com uma falsa lembrança 

que quer construir em mim

Um pai atravessando uma rua 

Na verdade uma vingança contra as vezes que me escuta

Uma covardia entre tantas 


Para que devo esquecer quem você escolhe para me preterir?

Para que quer limpar sua imagem comigo?

Que diferença faz para os seus novos rumos?


Para me tirar do seu pensamento 

Deixar de ouvir meus conselhos 

Respeitar minha foto na sua janela sem querer bater

É preciso deixar de me amar com esse gozo fúnebre 

É preciso aceitar que andei ao seu lado

Por seus lugares favoritos e nos seus in-cômodos


Reconhecer que sei quem são seus amigos e inimigos

As  vezes no mesmo homem

Que dói sua família 

Como a qualquer um

Não é um privilégio de ser órfão


Que foi você quem abriu a porta do seu sarcófago na cidade nova 

Que as madrugadas são suas horas mais duras e as que mais gosta

Que cultivamos a noite como a uma musa


Que eu sei que você não tem uma banda favorita

Nem sequer uma música mais escutada

A não ser em uma semana apaixonado 

pelo frisson de recomeçar de um outro modo

E voltar a ser o mesmo depois de um tempo


Que tem playlists esquisitas 

Gosta de bandas desconhecidas

E não sabe quase nada sobre mim


Que desperdiçou todas as chances de conhecer minha família 

Que tem medo da voz e dos olhos do meu filho

E não sabe como pode ser tão decepcionante comigo 


Agora diz em tom ofensivo

Que ficcionalizo feito Clarice 

Uma mentira que seu gosto literário denuncia

Pois Lispector traduziu a realidade 

Inclusive a psíquica 

E você sabe


Mas só escondendo de si a minha verdade 

Acredita que poderá seguir em frente 

Limpo, medicado, mais magro 

Amante de outra vida

Diferente da gente 


Fica para sempre 

O cachorro do Alice no seu braço 

Os elogios que me (im)pede 

Os seus melhores beijos para outros lábios 

Os amores que deseja

Os filmes que não veremos

E a estrela a brilhar em outro céu 

Depois de desperdiçar madrugadas comigo


Hcqf 22 de junho de 2026


Escrevo para perder de vez

Das maiores dores que senti
Não foi na costela, embaixo do seio direito
que ainda está comigo
lembrando as cenas que não queria ter vivido

Entre as maiores violências
ter ouvido que não conversamos sobre nada
que a minha deselegância sexual ofende 
pela persistência com que trago outro homem para casa

entre os empurrões para entrar
e as desculpas para me afastar
pesam essas palavras de que não conversamos
mesmo sob a acusação de que minhas opiniões doem 
desde sempre
desde o primeiro dia na mansão
desde a primeira conversa sobre Brasília
sem eu saber que em BSB existe um túmulo 
que quer visitar
talvez conhecer

eu não escuto, não acolho
nada sei sobre seus gostos 
seus discos
seus livros
poetas preferidos
Devo ter fantasiado a relação entre
o Dia de 30 de outubro, 
Jorge Luis Borges e Lobão
Os dois irmãos
Vitor Ramil, Leminsk e Dickson

Queria esquecer outra das suas patho-caixões de escorpião
Do dia 17 de novembro, "dream brother"
E o medo do último adeus no rio de São Miguel
So real, como existiu a Montepio
E as traduções em poema das canções mais lindas da sua vida, 
entre outras tantas


Que ouvimos um som norueguês de Madrugada
Algumas vezes vimos o sol nascer na sacada 
de frente para uma samaumeira
e minha ciumeira depõe 
não contra mim
mas contra sua lista de amantes
diante das quais não sou suficiente
mas também não posso sentir prazer
se você souber

Agora tem uma névoa pairando sob a minha pena
tenho dores no corpo 
a mente cravejada de espinhos
alguns álbuns para te devolver
e alguns versos argentinos

pedaços que o amor levou
quando não estava mais:
"Sólo que me queda el goce de estar triste,
esa vana costumbre que me inclina
al Sur, a cierta puerta, a cierta esquina."
Posto que me dói:
"El nombre de [un hombre] me delata.
Me duele [un hombre] en todo el cuerpo."
como a Ausência em Borges:
"Desde que te alejaste,
cuántos lugares se han tornado vanos
y sin sentido, iguales
a luces en el día.
Tardes que fueron nicho de tu imagen,
músicas en que siempre me aguardabas,
palabras de aquel tiempo,
yo tendré que quebrarlas con mis manos. "

Ouvi que estava morrendo de saudade 
da Próxima
Chegando em sua casa
Não queria entrar
Senti que não me queria ali
Você me colocou para dentro à força
Escada à cima
Porta até o sofá
A casa limpa
Mais nada

Disse que nem tudo era sobre sexo
Queria colo
E parar de beber
Depois me convidou para sair
Um outro lugar onde pudesse se destruir
Encher o pulmão de pó
Enquanto flertava como um pai
Oferecendo remédio à outra moça
Definida pela "Excelência"
E que talvez não poderia saber 
do alcool, da cocaína, do sexo sem camisinha

Mas qualquer dia vai ouvir
Drops of jupiter 
E quando menos esperar
Layne, Chris, Kurt...
"And I feel it 
Where you going for tomorow?"
Mesmo que por enquanto esteja escondida na sequência
Red Hot, Alanis, Sharon, Elton...

Algum dia suas musas podem assombrar vocês
Fiona, Bett, Hooverphonic, Interpol, Alchool
Ou Genesis, Pan of Salvation, Brad Burn, Incubus...
Embora nunca mais haja outro "Lovecrimes"
Em mim, Pearl Jam, "Champanhe supenova", Bjork
e "certas coisas que não sei dizer...".
HCQF 21 de junho de 2020-2026

compulsão ao sofrimento

 É preciso muito ódio contra si

Para se permitir estar com um homem desprezível 

E é de um ódio enraizado

Gerações sem elaboração 

Para poder escutar histórias que degradam outras mulheres 

Ou colocam outras mulheres 

Em perigo ou em maus lençóis 

Deixar de frequentar às esquinas com um covarde

Para reconhecer um banquete quando é servido 

É a única saída da compulsão ao sofrimento

HCQF 21 de junho de 2026

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Depois da síntese

 Jamais teria ido embora 

Sem que ele tivesse pedido 

Não agora

Antes da tese final 

Sem entender a violência da síntese 

Das madrugadas em que me afasta

Pedindo para estar com ele


Mas para o Amor

Todo pedido é uma ordem

Mesmo a de despejo

Toda antítese 

É necessária

Que seja para desfaze-la


E o espírito aguçado 

Pela partida 

Tenta renegar a espera 

Até não ter mais notícias 

E a história falar em saudade 

E esconder o resto


Hcqf 20 de junho


Um excelente amigo

Quando o gosto que fica é bom
Partir não é só sobre dor...
Talvez ainda queira se inscrever 
Outro dia
Outra noite
Em verso
Em vez de uma cena na madrugada

Vem acabando com a música 
Tem um tempo
Vem desdobrando em desatino
Violento
Autoritário 
Em ambos 
Por não poder
Ser a dois

Encontra outro destino
De novo
Pela primeira vez 
Exige distância 
Um fim de prazo
Impõe cessar fogo
Aposta em outros braços 
Familiares 

Para desfazer um desperdício
De amor, sem amado
E construir novos laços 
De amigo, sem amante

Hcqf 20 de junho 2026
(Dia do amigo)

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Eu sei que ele olhou para a menina 
Ligou para a única pessoa que não se importaria de admitir e decepcionar 
Porque ele não a respeita

A única pessoa que não reflete nele a própria monstruosidade 
Uma alma estúpida
Que ele alimenta de restos amargos 
Cerveja barata 
Mentiras
Conflitos familiares 

Isso tudo
Por precisar depositar a culpa 
De ter sido denunciado pelo inimigo
E pego pelo aliado

Preciso descansar 
Desse assunto
Dessa ilusão 
Sem gosto
Sem tesão 
Sem sentido

Hcqf 1e de junho 2026

O dia certo

 Ele diz que parou de tomar o remédio 

Mas que quer voltar

 para ficar com ela e ficar melhor...


Estou esse tempo que ele passou sem medicação 

Sem dormir direito 

Desde a primeira ligação da madrugada 

que eu não atendi por ainda estar dormindo 

Desde lá,

 alterno dias que o sono vence e outros que o cansaço perde 

à espera da ligação que não era para existir 


Ele diz que a Próxima pediu para ele "segurar a onda" da bebida

Que espera passar a pressão da qualificação e depois eles podem voltar 

Ou seja, a próxima deixou ele para depois

E ele aceitou, medicado, recolhido, lendo as manhãs no Marajó...

Enquanto eu gastei lágrimas de esperança achando que tinha chegado a minha vez.


Mas sempre chega essa hora,

Fico por alguns meses do ano tranquila, longe dele

Semanas sem telefonemas sem sentido 

Meses sem músicas desesperadas

Dias e dias reaprendendo meus gostos

Meus cômodos 

As pessoas que realmente me tem 

E quem realmente me quer


Da última vez ele disse que eu deveria 

Dar uma chance para as pessoas que me procuram 

Mesmo que fosse para ter intimidade com qualquer um(a)

Ficou muito claro o quanto a minha existência incomoda 

Claro que doeu 


Depois veio a visita amarga 

Encontrou a porta aberta, 

entrou e me empurrou para o carro

A proteção de um desconhecido 

Me fez acordar do pesadelo 

E proteger a minha casa

Doeu ter passado por isso


Nenhuma intimidade é real 

Depois de me fisgar 

Pela fantasia da data

Ele usa uma violência

Uma menina muito mais nova com meu corpo

A namorada ideal que nunca fui

como assunto para me afastar 


Foi ao médico 

Ajustou a dose da medicação 

Vai ficar recolhidinho em casa 

Não precisa da  minha ajuda para nada

Não quer que a minha esperança 

Sonde-o


Ele já me deu tantas vezes esse recado

Alguma hora preciso aceitar

Que aquela janela já não existe mais

Vai ver nunca existiu 


Ele tem planos de melhorar

Encontrar uma pessoa que quer ele limpo

E ele quer essa ou qualquer outra 

Só precisa que eu tranque a minha janela

Não atenda suas ligações nas madrugadas de porre

E nunca mais abra a porta para ele.


Hcqf 12 de junho de 2026

quinta-feira, 11 de junho de 2026

A house doesn't make a home

É diante das nossas falhas que é possível reconhecer o amor, pois...
Quem está nos melhores dias foi convidado
Quem está nos piores nem pode escolher 
Aqueles nas comemorações das conquistas, sorriem assustados 
Os últimos comemoram aliviados pelo que conhecem do trajeto até ali
Porque estar diante de alguém protegido por suas qualidades é um privilégio de quem frequenta a sala de estar, às vezes o quarto e nunca os porões 
Os (in)cômodos de alguém não estão de portas abertas
Estes são espaços nos quais se esconde os piores dias, as lamentações mais profundas, as lágrimas que esfriam o coração 
É o pedido de colo sem ser dito
Mas que diz com vergonha e coragem sobre quem se é 
E amor e covardia não frequentam o mesmo lugar
Onde não se pode ficar constrangido, sem medo, até pode ter intimidade, mas não cumplicidade, ainda não existe respeito com a dor de ambos
Porque é no amor que dói a dor do outro, como o desejo que fundou a aposta que aquele sujeito pode surpreender - diferente de assustar e causar repulsa 
O amor quer do outro o que não é visto no passeio público ou nas redes sociais 
Amar requerer solenidade, sensibilidade e proteção para ser infeliz, triste, doente e sem filtro 
Ou você ama ou curte alguém 


Hcqf 11 de junho 2026

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Uma música sobre o pai morto da minha amiga

 Tem uma música que eu canto desde o dia que eu vi uma amiga cantar para o pai dela que morreu. Um homem que ela via grande, mas que era pequeno e fazia todos parecerem personagens de circo.

No dia que não consegui ver esse filme, na tv, eu chorei muito, como não pude chorar quando meu pai morreu...

A família que seria a do meu filho, não fez sequer a menor questão da morte do meu pai e aquilo doeu e acabou de uma vez com meu casamento. Nenhum deles se importou com a menina que não teve pai e o tio, todo errado, ocupou essa posição com algum amor.

Eu digo algum amor, porque estou com o coração partido... Agora parece que nunca vi o amor de perto, parece que ele sempre estava longe, como uma praia no horizonte... e eu no deserto.

Faz tempo que estou para ter essa conversa comigo, sobre o dia que eu descobri que não tinha pai, porque meu tio era o pai que eu tinha. Nesse dia, eu lembrei que irmão não pode namorar irmão e meu Édipo foi se resolvendo caindo igual pedra na minha cabeça.

Não dá, não dá, não tem.

Então, só depois vi meu pai... Um homem todo errado, cheio de provações e erros... Daí pra frente/gente achei que ter um pai era um privilégio, tipo morar numa casa linda, em um bairro bom de uma cidade qualquer. Eu nunca tive isso. Agora tenho um bairro bom, numa cidade qualquer, numa casa que precisa pintar/reformar.

E esse meu pai, a mim chegou ao longo de muito tempo, com uma grandeza que escondia a pequenez viva da minha mãe. Quer dizer, doer um pai morto era mais fácil que amar uma mãe com defeitos, humana, mulher... Que agora eu sou.

Cometi um erro no trabalho, que pode me custar os dias de folga que não tive esse semestre. Preciso desacelerar e focar na escrita que amo. Mas hoje tenho priorizado fazer dividas.

Talvez o corte deva começar por aí, claro que depois do que realmente precisei fazer: costurar meu coração. Tecer meu ninho é sempre isso que faço e desfaço... Ora sem dor, ora com muita dor.

Não sou um passarinho. Tenho que ter uma casa e minha mãe tá muito velhinha. Já viu de tudo, menos eu ter uma casa.

É, eu estou chorando... Sonhei um lar com viagens pro exterior... Arrebentei essa fechadura e fui embora. Era muito seguro, tinha um cômodo para fuga de tempestade, furacão e tudo. Eu não sei o que fiz.

Precisei sair, queria sentir de novo meu peito. Senti e as vezes é quase fulminante. Meu peito fala uma língua muito pretensiosa, é egoísta, as vezes agressivo, quase nunca se importa comigo. Esses dias me apresentou "A próxima" e quase um mês depois "Uma outra"... Estou deixando de acreditar no amor, como quando eu tinha 13 anos e sentia saudade de ter pai. Mas com 10 anos tive medo de perder minha mãe para um namorado dela, depois com 15 anos senti o medo mais forte de todos, um enfarte, um cateterismo...

Estou até hoje sofrendo isso... Não quero pensar, fico ignorando a possibilidade... Coloquei ela no lugar mais importante da minha rotina com meu filho. Os dois ao meu lado e eu suspirando para a esquina.

Preciso ser mais honesta comigo... É mais fácil pensar na minha morte/sorte, com eles, do que na minha vida/morte sem eles. Olho para o lado e vejo o distante para não ver quem tá próximo.

A minha casa tá uma bagunça, tenho muitas coisas para resolver, enquanto derramo sabedoria na esquina. Eu disse: "depois vai doer mais em você"... Sabendo que isso seria o peso ao quadrado em mim.

A gente não sente a própria morte. Sente o medo da morte e isso é terrível. Mas medo de perder quem ama... Nossa, esfria até congelar.

É o amor que faz a gente sentir o peito do outro, tipo quando a criança deita abraçada com a mãe para sentir se ela está respirando, senão acaba tudo. E não acaba, mas fica muito diferente e mais sério e mais triste.

Eu disse: "respeita o coração dela senão vai doer mais em ti", enquanto me protegia de toda dor que me causei para não ver ele mais triste do que sempre. Toda dor que segurei para tentar fazer ele parar de me fazer chorar. Todas as vezes que ele colocou alguém diante de mim ou na minha frente. Assim me fez brilhar só de madrugada pra ele. E é suficiente?

Sempre quis ser o céu de alguém, mas amor era tipo esperar a estrela cair para fazer um pedido. E o mar sabe mais da realização de sonhos que qualquer ser humano vivo.

Eu quero vê-lo sentir minha falta e me ligar, mas eu não ligo. Eu quero que ele me encontre/contenha onde sabe que posso estar, mas eu não frequento esses lugares sem ele. 

Eu quero que me faça uma surpresa e devolva a magia do amor, mas não me vê, nem se eu estiver nua na sua frente. Não tem ninguém ali onde ele me colocou. Qualquer pessoa ocupa o meu lugar de analista e a transferência é um falso amor.

Sempre digo que não é um "amor falso", mas não é de quem está ali bem na frente... Tal qual o lugar mais escuro ficar bem embaixo da lâmpada, faz todo sentido, não ver ou ser visto nesse lugar. Mas essa conversa é sobre dar-se a ver... Ou seja, deixar ser encontrada e desejar isso.

O amor é esse encontro. Dá pra tropeçar no amor e não pedir desculpa, o amor como uma cadeira no lugar de sempre no dia errado e quem sofre é o dedo mindinho.

Imagina encontrar o amor desprevenido? Pelado, sujo, cheirando mal, com o cabelo bagunçado... Isso faz todo sentido e ser amado recompensa os dias mais sem graça da vida.

Ser amado é ser achado por um coração a espera. Eu não sei se acredito em milagres, mas nas causas impossíveis, eu acredito.

Hoje, 9 de junho, é aniversário do meu primeiro namorado, um amor que eu não conseguia enxergar e fazia tudo por mim. Ele me mimou como nunca antes e eu fiquei arrogante, amar parecia fácil demais. Eu merecia aquilo, mas ele adoecia quando eu me afastava. Foi assim...

Depois achei o amor da minha vida, quase 9 anos de sonhos e muita parceria. Tinha um pai, um irmão, um amigo e um amor na mesma pessoa. E eu derramava todas as minhas dores no seu corpo. E ele sofreu demais, eu também. Mas eu quase não sentia sua dor, ele me protegia de todo jeito. Embora tenha sofrido até perder a noção de dor. 

Ele se afastou demais e isso volta aos fins de semana em que ele não pega nosso filho, ou feriados em que eu falto morrer de saudade do pequeno que me liga de madrugada pra dormir em paz.

Nessa parte da ligação na madrugada, então, tem mais de uma pessoa nesse sintoma. Porém, sobre uma delas até sei bastante coisa, mas nada do que ele sente, e isso faz muita diferença, como ele ir embora sempre.

Hcqf (26) 9 de junho de (2017)/2026


sábado, 6 de junho de 2026

Outro avião de partida

 Você me diz: "como amiga"

Sobre palavras alheias

Coloca uma barreira

E entrega sua alma.


Como pode ser amiga?

a pessoa que não bate na porta? 

ou derrama suas dores e vai embora?


Não se preocupa

Com o que provoca 

Não quer saber onde toca 

Não está em si 

Com certeza 


Diz sua alma:

"Não consigo achar o amor que quero 

Alguém melhor me dá um tapa"

E depois se defende de uma pergunta inaudita

"Essa música não é uma próxima trilha romântica para ninguém, é ancestral..."


Então reconheço 

E te escuto como a um amigo

Mas não como você mesmo

Em outra versão da sua canção:

"Não consigo [te chamar] amor que quero

[Sempre tem] alguém melhor 

me dá um tapa [e me sacode o pó]".


Não é uma alma amiga 

quem nunca diz a que veio 

que só fala se quiser 

E se alguma vez pergunta:

"Precisa de ajuda?"

Não volta para saber a resposta 


Era só mais uma mentira

Na última janela da madrugada 

Da cidade onde você mora


Chegou um outro avião

Que você espera ir embora 

Quando enferrujar a carcaça 

A quem dedica o refrão:

"Eu posso fazer desaparecer 

[O passado]

Não tenha medo"

Mas eu sei que não pode 

E essa dor de saber

Ninguém suporta


Diz para eu entender 

"Como amiga"

Sem saber

As consequências


Hcqf [26 de maio], 07 de junho de 2026


Not about luck

De madrugada, 

outra cena inusitada

um quarto, a luz quase não entra


A cama arrumada,

ela escondida no lençol pesado

ele, descoberto, olhando pro nada 


Ela tenta contato

Ele parece estar só

Um aviso

Diz, assim, de noites solitárias 

Cantando sozinho


Transforma sua cantora favorita em fantasma

 Para coloca a outra no lugar que tive na sua casa

Nas madrugadas esmagando a pequena 

Not about love

Avisa a música 


HCQF 26 de maio de 2026

segunda-feira, 25 de maio de 2026

 Você não teme me jogar aos leões 

Ou me dar de bandeja a qualquer fera faminta...

Joga com o meu corpo.

Me deixa com frio do lado de fora

Me vê murchar diante dos seus olhos

Me esconde das pessoas 

E diz que não quer "mais" atrapalhar minha vida

Admitindo que essa sempre foi uma opção que você tinha.

E nunca escolheu.

Hcqf 24 de maio de 2026

domingo, 24 de maio de 2026

 A próxima 

mas não como as outras

Aquela

perdida na adolescência 

jamais esquecida 


A próxima 

chance de dar certo

para a família 


A próxima esposa 

Marina

e não Luna


Outra história

sobre não ser satélite 

ter luz própria 

como alguém que cria as fábulas

ao invés de conta-las

ou escuta-las.


A próxima 

das manhãs e fins de semana.

das noites de sonos tranquilos

seguros em casa


Sem madrugadas

in state of emergency

na larva


A próxima escolhida 

à luz do dia

sem amanheceres 

do lado de fora.


Hcqf 24 de maio de 2026


sábado, 23 de maio de 2026

Alchool... idólatra.

Perguntei quem era e você disse "a próxima". 
Entendi... ela era especial, diferente de alguém cuja vez nunca chega.

E me disse para não desperdiçar outra cama à sua espera, nem outra companhia, pois "deve(ria) ter (outro)alguém que queira uma (outra)mulher bonita".

Anne, com "E", me contou o segredo: "não ter medo de ser devolvido". Entendi, também, que era sobre destinatário. 

Quando eu era criança pensei que era sobre não ter medo. Mas a casa importa. Diz a música: "a porta que se fecha na tempestade" e molha quem está fora.

Você contou coisas sobre ser um utensílio, embora quando inútil. Lembrei dos panos empoeirados das avós, que são inesquecíveis.

Assim a órfã explicou sobre o amor ao relento, como a raiz da roseira alimenta uma solidão e ao ser retirada, cada pétala (e não a rosa) canta uma "estrela caindo bem devagar" a realizar sonhos sobre (a)mar, diz o poeta na canção.

Escutei seu olhar, de cima para mim, em outra esquina por aí... Onde estive a olhar, do lado de fora, um pai feliz que eu nunca tive.
Milagres: a casa, as pétalas, o pai e não ser devolvida.

Hcqf 23 de maio 2026



sexta-feira, 15 de maio de 2026

Depois de fazer questão de me decepcionar outra vez... Lembrei do dia que conheci seus estimados leões...

Você disse que me levaria a um almoço. Desta vez, não mais os mesmos ambientes: banquetes, fartura, à luz do dia...

Só não disse que eu seria servida de bandeja. Avaliada, enquanto me alimentava, ou esboçava qualquer pequena expressão...

Foi um dia esquisito. 

Cheguei, você comia com seus irmãos, mas não havia ninguém da sua família.

Sentei, você me olhava com desconfiança, parecia que estava diante de advogados: gravatas, sapatos pretos, todos muito sérios... Em meu cabelo, um verde-limão.

Você me ofereceu comida, bebida e até seu terno, mas ninguém me fez companhia.

Todos me olhavam, mas ninguém me via... Fiquei por horas sentada e calada na mesa das mulheres. Elas cantavam, se chamavam de cunhadas, mas nem meu nome perguntaram.

Guardo algumas lembranças desse dia, como você vagando entre as pessoas... Tive medo do seu olhar, estava certa.

Quando as mulheres puxaram assunto comigo, uma delas me chamou mais atenção... Conversamos por horas, eu não soube quase nada dela, nem ela de mim, nem daquele lugar... Uma conversa vazia como aquele dia. Depois de alguns meses você passou a frequentar a casa dela aos finais de semana, sem cautela alguma. Disse que foi gentil e ficou tudo resolvido, menos comigo.

O trecho da música que cantava, enquanto você atravessava o salão, lá longe de mim dizia: "a onda que me arrasta e me leva pro teu mar".

Já naveguei tantos mares ao seu lado. Frequentei seus lugares proibidos, seus piores estados, o escuro da sua alma...

Nunca a sala de casa. Nunca a festa com os amigos. Agora o tema que me oferece é o mesmo tema que de mim retira. Rouba da minha parte do laço e entrega em outros braços, por meses, até cair em si e encontrar meu contato.

Vim a este dia, porque está quase fazendo um ano, de novo. Tantas vezes fui dispensada e nunca deixada em paz. Acho que fui uma presa precária, não sei. 

Acho que reprovei em algum teste naquele dia. Você me provou de novo e não quis mais, como sempre.

 Mas sempre diz que aquele dia foi importante, como uma casa de herança, um apartamento destruído, suas sacolas de roupas sujas, meus lençóis emprestados, minha camisola escondida, meus amuletos de proteção, a conversa com seu irmão, o dia da chave, o olhar por entre a grande e nunca um feliz dia das mulheres ou das mães.

Acabou, pela primeira vez, comigo, como sempre.

Hcqf 15 de maio de 2026

Carne devastada

 Ele me dedica suas piores partes

Consumo como iguarias 

Mas são apenas carne apodrecida

Comida de regiões devastadas pela guerra

Insetos, leite coalhado e partes relegadas de animais...

Insumos para sobrevivência em desastres e desertos

Como as nossas madrugadas 


Hcqf 15 de maio 2026

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Da maior parte dessa ilusão 
Insiste a pergunta
Se diz de mim

Não em mim
Mas se quer saber
O que não pode à distância 

Se quer dizer
Onde não estou
Quando esteve longe

Se quer de mim
Algum saber 
Das coisas estranhas 
Que deixou ao partir 

Se a minha ausência 
Goza a sua presença 
Em outra vida

Quando não estando
É a minha falta que reaparece
Insistente das coisas perdidas

É em mim excesso
Como aquelas madrugadas
Em que esqueci de mim
Ao me encontrar no outro

Hcqf 24 de abril 2026


quinta-feira, 23 de abril de 2026

Descobri outra 
Mais moça 
Mais forte

Tão potente, tão viva
Para ela
não quero o meu lugar 
Para mim 
Não quero mais esperar

Nossa diferença 
Está lá 
Está nela 
Nunca seria comigo

Seu olhar 
Sua história
Outro nome
Outra vida
Onde não caberia
Uma mulher
Pequenininha

Hcqf 23 de abril 2026



Acordei

Sonhei que você me procurava
Como nunca...
Perguntaria de mim
Minhas angústias 
Seria uma primeira vez, assim
Seria, não foi, enfim.

Hcqf 23 de abril 2026

quinta-feira, 19 de março de 2026

As vezes a noite não termina

Aconteceu,

 de novo

Não como antes, 

como a primeira vez


Um olhar firme,

 uma presença forte, notável, segura


Outra pequena, 

mas não miúda como a de sempre.

Essa tão viva, viajada, 

bem sucedida, como as outras,

 mas não como a de sempre.


Ultrapassa em méritos qualquer uma, 

Impõe sua presença,

 exige olhares, 

perturba amizades

Não como as outras,

 embora como a de sempre.


Tolices de uma navegação sem leme

Regada a noites sem dormir, 

dias sem sol, 

poeira no nariz e fumaça.


Um enredo tão cansativo, 

Que as gotas de tinta sufocam a escrita.

As vezes a poesia também termina.

Hcqf 17-24 de março 2026



Dormi

De madrugada, sempre 
Encontra a janela fechada, inesperadamente 
Reata uma linha 
Puída arrebenta 

Voltam as gotas 
De palavras 
Sem te(i)ma
Alguma súplica esquecida 
Sem música
Em fim.

17 de março 2026



domingo, 8 de março de 2026

Tentei escrever sobre ele me procurar... 
Mas ele não faria isso... 
Não hoje, 
porque ele nunca fez isso 
Nem em três anos
Até esqueci essa data ontem, 
quando estive com ele.
 
10 de janeiro 2026

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Conversas que nunca vão acontecer

 - já faz tempo...

- sempre...

- acho que tu sabia que ia acontecer.

- agora não, em 2023 sim (mas talvez só agora eu tenha saído de lá).

- nem sei como pedir desculpas, nems eu se é preciso.

- talvez seja isso o que eu esperei e agora não faz sentido.

- ok, então.

....

- eu não sabia que tinha acontecido, não esperava...

-  não aconteceu nada, foi algo passageiro, passou faz algum tempo.

- ele disse que têm quase três anos.

- ele teve três namoradas e vários encontros casuais, comigo foi só isso.

- ele me disse que você o ama.

- ficamos algumas vezes em 2023 e em 2025, não foi nada além disso. Tiveram outras pessoas toda tempo.

- ele me disse que você tem ciúme dele (risos).

- eu nunca fui correspondida, em nada. Fique tranquila. Ele sempre esteve livre 

- mas isso impede a nossa amizade.

- se você quiser, sim. Entendo plenamente.

- ele disse que gostou de você.

- não se preocupe, não somos amigos... Ele estava sozinho, eu também... Agora não há motivo para acontecer, como nunca houve.

- mas ele disse que sabe o quanto você o amou e que te feriu. 

- isso nunca foi dito. 

- estamos juntos, de novo.

- nós nunca estivemos. Fique à vontade.

4 de janeiro 2026 (lua cheia)

Uma pessoa sem amor, sente falta em tudo...
Quando nada conforta diante dos desafios,
Quando falta o olhar de compaixão diante das falhas...
Toda exigência é uma agulhada.

Tem dias que sinto o quanto o amor permite criar, ser criativo, ser diferente...
Faltar algo em si diante do amor, é o mesmo que mostrar a porta por onde entrar.
Não ter algo diante do amor, é o mesmo que dar-lhe lugar.

Ah, quando não há... Amor...
Dói e nada conforta.
Qualquer lugar é inseguro.
Qualquer pessoa é um oponente.
O colo é algo fora do mundo.
3 de janeiro de 2026