quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Jogo de perder

Fiquei devendo um poema sobre o farol...
Acho que meus olhos cegaram diante da luz e eu não pude firmar a pena no papel...
Os traços tortos e desconstruídos já estavam desde a fonte
O coração que dizia
E a estrada linha que em versos seguiam
Estavam torpes e franzidas como a esguia e tímida mulher de coração partido
Bradam os poetas que o amor é um jogo de perder
E se perder de amor é uma dádiva 
Que só os ganhadores conhecem
Não estou entre os sábios e dadivosos
Estou do lado dos fracassados
Que entregaram mais do que deveriam
Ao destino que aspiravam

Hcqf 5 de outubro de 2021

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

O amor é um tipo de teste da vida

 A primeira vez que eu testei o amor... Foi logo quando o conheci e saboreei... 

Eu senti a doçura das nuvens tocarem a minha boca, como se eu tivesse provado um algodão doce azul... Assim mesmo...

Nunca alguém tinha se arrumado para me ver, nunca tinha sentido o privilégio de saber que o perfume que me lembrava alguém, tinha sido escolhido para me agradar e encantar...

Mas eu disse que não amava aquele cheiro, mesmo sabendo que me deixava desnorteada dentro do corpo...que me tonteava a alma numa alucinação de senti-lo sem enxerga-lo...

Neguei esse amor para poder ver se ele lutaria por mim, como eu estava lutando por ele contra a minha família, a minha classe social e a minha pretensão de não amar homem algum mais do que a mim...

Eu abri a porta do corpo dele, ofereci a inocência do nosso beijo pra uma mulher que eu admirava muito... E torci com todas as minhas forças, eu sonhei, sem dormir a noite inteira, que ele iria recusar... 

Nós já estávamos separados há meses, algo entorno de 6 meses... Mas eu queria a derradeira promessa de que eu seria a escolhida... De que ele me escolheria mesmo diante da beleza de Helen-a, porque ela não era a Hellen.

Depois ele voltou, ele negou... E eu quase perdi a amiga... Mas perdi ele, ele namorou e se deixou e me procurou e eu o deixei partir... Ele casou e encontrou do outro lado do mundo o abrigo que eu queria construir com ele.

Eu deveria ter aprendido que não sou insubstituível... Deveria ter aprendido na primeira Helena que atravessou meu caminho, a que teve a presença que eu tanto quis.. mas não aprendi... Que um presente pode ser perigoso... Que pode esconder uma guerra...

Testei o outro amor... O mais longo e arraigado em mim: o que eu temi demais testar, inventei outras formas de arriscar o que tivemos, só para não fazer o teste mais importante pra mim... 

Mas a maternidade me fez ser ainda mais eu, e aí, regredi a escolha que sempre faço diante do amor: vai e me prova que você está aqui porque você me escolheu...

Na minha fantasia, só outra mulher apaixonada é capaz de fazer o teste valer... Quer dizer, é preciso ver ele decidir rejeitar a outra mulher... E isso não acontece... De novo... E sempre...

Antes desse teve outro que eu também testei, mesmo antes de me declarar... Esse eu amei em silêncio, por covardia... Ficamos muito amigos e um dia, depois de tirar algemas que nem estavam trancandas, eu decidi tomar uma iniciativa: lutar por ele.

A primeira coisa que fiz foi apresentá-lo a uma garota... Uma menina que era meu oposto, mas da minha família, e que se ele ficasse, eu teria que conviver com o constrangimento dela ter sido pivô de uma desilusão amorosa minha.

Aconteceu... Ele escolheu ter um relacionamento furtivo com ela... Eles tiveram tanta intimidade e foi tão rápido e fulgaz quanto o envolvimento do meu primeiro amor e  minha amiga...

Porém com o tempo, as perdas foram ficando maiores... E como se eu tivesse dando ao amor um teste mais difícil: eu escolho mulheres mais afinadas com  os interesses deles... Algo sexual, algo estético, algo físico, que eu não esteja conseguindo oferecer... Eu mostro o que me falta no que a outra mulher tem e se o amor se apaixonar, é porque jamais suportaria conviver com a minha falta, com o m-eu desejo, com o que me dá sede de viver... A feminilidade que sempre me faz falta aos meus olhos...

Eu não poderia procurar isso que me falta em outra pessoa, mas eu ilumino quando reconheço em alguém: a beleza que me faltava aos meus olhos; a doçura que eu não sinto nos meus gestos; a juventude que eu vejo diminuir em mim; e agora a sexualidade livre que eu me impesso de exercer depois da maternidade...

Assim, falei dos líquidos encantos dos lábios do meu amor para alguém com muita sede; dei a espada para alguém com vontade de se vingar de mim cortar meu coração; abri a porta pra uma jovem gananciosa, na casa de uma senhora sem ambição.... 

E agora... Agora... Não sei nem como descrever sem uma metáfora que possa me redimir: ofereci um lindo abrigo confortável e familiar, para alguém sem critério... Que pouco caso faz da gentileza de um conforto pra alma, se puder desfrutar de luxo, glamour, status e qualquer mentira que traga algum lucro...

Talvez eu tenha enxergado o lado que o farol não se deixa iluminar... Talvez a briga toda por rechaçar a materialidade que envenena, se esconda no fundo do copo de martini que ele esbanja no fim de semana e que sei que tem gosto de luxo...

A luta que ele trava, não é uma luta que ele compra, talvez seja uma luta que ele venda, e que algumas pessoas compram... Mas nela, ele vai se revelar e eu vou mais uma vez perecer de descobrir o que me fez abrir mão: a mentira...

Sempre a mentira que eu me conto, a de que eu era a preferida... Essa eu até vivi com meu pai defeituoso, mas meu pai dos meus sonhos, ele me rejeitou pela Helena. Como se esse a, fosse a falta que me fez não ser escolhida, fosse a explicação, de que me falta alguma feminilidade...

Vivo o sonho de encontrar um homem que eu deseje e me torne meu próprio desejo no que me falta... Que reconheça essa minha natureza e veja a poesia que eu plantei nisso que é vastidão em mim...

Sinto força nesse vazio, como a energia que atrai para um buraco negro... Isso no início quando o encanto por mim se revela em música, poesia, flor, chocolate, conversa sobre a vida, o futuro, a família, uma vida inteira... 

Mas que me engole de sofrimento e loucura e eu começo a sentir o peso da minha história, do que eu não posso ser, do que eu tenho dificuldade de encarar nos meus defeitos e começo a desistir de viver o amor...

Eu quero que a proteção, a promessa de amor seja eterna (quem sabe um dia a paz vence a guerra e viver era só festejar...)... Mas eu sei que não dá pra ser assim... E eu sou a primeira a pular do barco, se eu não ver a praia no horizonte quando eu quero... Mesmo sabendo que a viagem seria longa, com tormentas, e dias de chuva... Eu quero ser aquela que vai ser embalada, que vai receber o colo... Sou exigente com o amor, tal como não sou com a própria vida, que eu não desprezo por ser difícil... Já o amor, esse eu fujo, desvio e desmoralizo, pra poder saber se é verdadeiro...

Cobro uma vida inteira de histórias mal-contadas, tornadas em fuxico, ao invés de serem relatadas por quem de direito para alguém com o peito aberto....

Indicação de música: never enough, do filme "o rei do show".

H. C. Q. F 28-29 de setembro de 2021





sábado, 18 de setembro de 2021

Banhar as vestes

 Hoje eu não queria ser mãe...

Não queria ter ninguém esperando pelos meus atos...

Queria ser apenas uma mulher esperando uma resposta...

Vendo quem ela quer correr, voltar, andar e falar... mas também sem certeza  alguma do que ele diz ou faz...

E poder deitar e chorar a amargura de não ser a única que ele quer... e sequer saber se ele a quer, e por isso esquecer do mundo...

Deixar  o mundo inteiro, todo, para trás... correr dentro do seu próprio  coração... não dividir  com absolutamente ninguém  essa dor...

Não está perdido, mas não é  sobre ganhar... é  sobre se deixar perder de paixão... nem sequer amor está em jogo...

Tantos segredos, tantas histórias e nenhuma sobre a correria que ela sente no peito... O seu sentimento  não importa... nem pra ela, nem pra ele...

Ela precisa q o olhar de carinho venha dele... q a escolha seja ela para ele... porque seu coração  desaprendeu a optar...

Tem no corpo um coração  cansado, paixão já não estava mais no horizonte, se a questão fosse amar, ela iria esperar uma vida inteira pela pessoa... mas sem qualquer  acordo e ainda ajudando ele a revisitar outra... nada é, nada tem que ela possa pedir, solicitar ou desejar... e ainda assim é  de um afeto imenso o que lhe desnorteia...

É  de puro desejo seu engodo e de pura esperança  esse lamento...

Queria ela que (a)mar lhe banhasse as vestes.

H.C.Q.F 17 de setembro  de 2021


quarta-feira, 11 de agosto de 2021

Castanho

 Como deixar partir o que ainda não chegou por completo?

Quem ainda é só prenúncio? Quem ainda é só afeto?

Não tem ainda uma lembrança só dele...

Tem um lembrança de tudo naquele dia, mas foram poucos minutos da sua companhia...

Eu só lembro do corpo se curvando e eu fiquei sem saída...

Eu tentei correr, eu acho que ele percebeu..

Porque foi sumindo e reaparecendo como flashes no parque de diversões...

Eu via a roda gigante cada vez que o procurava...

Eu sentia uma montanha-russa no estômago quando não o via...

E os fogos no coração encêndearam meu corpo...

E as cores explodiram num cem mil pedacinhos que eu juntei na minha frente, qual quebra-cabeça....

E eu me vi quando olhei pra ele...

Eu simplesmente me vi olhando pra ele: meu batom vermelho nos lábios a sorrir, meu olhar sorrindo também e bem vidrado naquela paisagem cor de mel...

Isso que ficou estranho pra mim: ele tem um algo que não sei o que é colorido, mas tem também uma tonalidade real de mel, algo entre castanho, marron, loiro e os olhos claros...

Eita que eu não sei o que é...

Melhor que eu não saiba mesmo... Porque sem saber já quero tanto... Imagina se eu já conhecesse algum sabor, algum cheiro, alguma textura... Eu não consigo imaginar... E isso me intriga e excita...

Mas sem me fazer vibrar... Engraçado isso...

Eu não estou eufórica, mas estou sim esperançosa... Cheia de esperança que não sossego com nada... Ele é o intervalo de cada questão, cada pensamento e sensação...

H. C. Q. F. 11 de agosto de 2021

segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Um começo colorido

 Cheguei a festa/bar

Não reparei em ninguém

Fiz amizade com umas moças

Eu e minha amiga fomos atrás de um lugar

Na mesa encontrada 

Uma decepção aguardava

Um homem da vida dela estava acompanhado


Minutos depois

Fomos comprar cerveja

Ele/Outro se aproximou da minha amiga

Eu percebi que ele chegava muito perto pra falar

Achei que eles teriam algo

Deixei-os em certa privacidade

Foi aí que notei ele me olhar

Perguntei quem ele era

Ela disse 

um(a) amigo da faculdade


Retornei pra comprar petisco

Depois de um embroilho com a caixa do lugar

Me virei e rápido ele me parou

Buscou meu rosto lá em baixo 

Trouxe pra cima, e bem em cima

Perguntou se eu poderia lhe dar meu contato

Eu meio desentendida e preservando minha amiga

Falei que tinha visto que ele era amigo dela

 e se quisesse podia ficar lá perto (conosco)

Ele se apressou em ratificar 

Queria um contato posterior comigo 

( Agora entendo que a sós, talvez)


Errei meu contato de primeira

Ele acertou mesmo assim e eu tive que concordar

A insistência dele me pegou de surpresa

Eu tive medo de deixar aquela possibilidade de contato se concretizar

Mas ele conquistou um bocado de mim, desde aí


Depois ele desapareceu no pouco de gente que havia no lugar

Relaxei, conversei, escutei minhas amigas

Então, percebi outro homem chegar

Encarar e marcar território

Ele já mais vistoso ao meu gosto

E  como se fosse sem pensar

Olhei pro lado

O arco de iris estava lá

Cercando sem fazer alarde

Foi o bastante


O outro fincou os olhos em mim

Um olhar gostoso 

Um sorriso leve e alguns comentários com um amigo dele

Sem tirar os olhos de mim

E eu gostando e querendo

Mas olhava pro lado

Meu desejo já não estava tão longe

De amizade em amizade

Chegou numa mesa que encostava na minha

E mesmo de costa pra mim

Eu me sentia sua

Não pude mais me ofertar ao outro olhar 


E aquele triângulo começou a mexer comigo

Eu presa ou dominante

Estava no centro

Entre dois cavalheiros

Um que me encarava de frente

E outro que me espreitava distante


O outro cavalheiro também sentiu a presença Dele

Bateu em retirada com os amigos

Apesar de deixar outro fumando 

Bem perto


E eu cercada

Não sabia o que fazer

Pois nenhum deles realmente chegou mais perto


Foi então, que da mesa ao lado

Onde o desejo alado estava

Surgiu uma ponte

Um homem que perguntava sobre 

A amiga que estava conosco

Mas saiu de fininho

Que ele não pôde nem cumprimentá-la

Falamos que ela havia ido embora

E ele deixou muito evidente 

Queria que ela soubesse 

Que sua presença foi notada

Que ele sabe onde ela mora

Sabe seu nome

E queria de alguma forma corteja-la

E não era a primeira vez


Esse homem robusto e cumprido

Fez meu desejado pretendente 

Sentir a necessidade de me olhar com mais firmeza

Fez ele se levantar e ficar agitado

Tinha um certo ar de cobrança no seu olhar agora

Incrível como isso me excitou

Fiquei enlaçada por aquela

Já não mais micro-atitude

Uma atitude mais interessada


Eu tinha pressa de ir embora

Um compromisso no outro dia me chamava

Mas ele ia e vinha na minha vista

Sumia e reaparecia, do nada

Mas nada de chegar mais perto


Foi então, que meu coração acordou

Senti que ele viria

Porque os seus movimentos foram mais rápidos e elétricos

Mesmo assim

Ele veio 

De-vagar


Primeiro vi ele perto de um menino

Depois vi o menino se aproximar

E então um cumprimento

"Oi, tudo bem como vocês, meninas?"

"Prazer, meu nome é Bianca"

Eu só disse: oi e sorri

Ele já estava fora da minha visão

Ele veio 

andou ao redor da gente

Sempre rodeando meu ponto cego

Ainda tentei fugir

Puxei minha amiga, e disse

Ele tá vindo

Deu tempo da gente se afastar

E ele

De novo

De-vagar e rápido

Aparec-eu

Diante de mim 

Qual espelho

Talvez quebrado

Não conseguia enxergar direito seu rosto inteiro

O que vi com alguma clareza 

Foram seus olhos

Mas nem cheguei a notar as cores

Só vi que ele todo parecia inteiro

Cor de canela (Sandra de Sá)

Tons de amarelo, marron, bege, creme, ocre

Em pura cintilância

De novo

Na minha frente (prazer)

Pra dizer quase nada

E a mesma coisa

"Eu vou falar contigo pelo Insta. Tudo bem?"

Então veio o toque

Toc toc 

Bateu a porta

Nessa hora

Parece que estávamos só nos dois na minha mente


Entrou...

Ele tocou minha mão

Foi esquisito como sempre é

Se curvou

Eu retribui com solenidade

Não sei se disse algo

Não sei se respondi com meu corpo

Só sei que ele sorriu

E de novo

Um arco-íris em tons castanhos (lembrei da música do Renato Russo)

Se abriu

Não vi mais nada


Corremos

Entramos no carro

Viemos pra casa

Eu, ele e meu desejo alado


Mas ele não cumpriu o combinado

Não houve conversa

Só algumas falas

Ele perguntou onde eu iria

Eu respondi que estava indo pra casa

Ele disse: "poxa"

Eu disse que queria que ele me deixasse dormir 

(E hoje já tem 2 dias que estou direto acordada por esse desejo de vê-lo, tê-lo)

Ele perguntou onde eu morava

Eu respondi

Ele disse que estava "pela doca"

Eu só sinalizei que curti e li

E realmente adormeci


Acordei, fui ao meu compromisso

Me tranquei do lado de fora da sala

Risos, risos e mais risos


Ele não falou mais nada

Foi um dia de silêncio

Eu resolvi espreita-lo

Curti uma foto sua (queria nua)

Em que alguém comentou

Que o cachorro da foto 

Chamava atenção


Apesar de haver um animal da espécie canidae

Foi para ele o elogio

Sim, ele é um canídeo do tipo raposa

No meu sonho

Ele é voraz 


Depois curti a fotografia aleatória

De uma casa torta

Antiga e cheia de vida-morta

Uma casa abandonada

Que abriga uma história

Que ninguém conhece

Mas que chama atenção

Por ser inclinada e o tempo não ter lhe roubado as cores (pensei sabores)


Não houve resposta a esta jogada...


Noutro dia, já era eu pura raiva e vontade de partida

Queria não mais querer ele

Sem paciência praquela espera toda

Que ele fazia

Questões e questões pensava

"Será que ele ainda quer?"

"Será que foi um rebote químico?"

Quero desistir

Mas desejo continuar

"Será que não sou o tipo dele?"

"Será que minha vida não é interessante e convidativa?"

"O que será que ele queria? Será que ainda quer?"

Dormi sem conseguir sonhar

Em estar naquela companhia 


Noutro dia

Eu me aconselhava

"Se eu não tentar, vou estar me traindo"

Foi então que lancei um dilema, em forma de elogio:

Podia deixar claro

Que seus olhos são coloridos 

Ele desdisse:

Não ligo pra foto minha

Eu insisti:

Parece que gosta de foto-grafia

Ele disse:

Mas gosto sim de fotografia

Com um erro de português

Tão esquisito quanto tudo nele


Novamente, tirei meu time de campo

Curti mas não comentei

Foi uma pequena vingança

Por toda espera


Ele nada de corresponder

E demorou bastante

Quase meio dia

Na hora da mesa

Ele curtiu 

Uma única foto minha

Muito elogiada por outras pessoas

Uma foto de arco-íris

E agora estou sem dormir

Sem conseguir sonhar

Do jeito que eu queria


Cheia de vontade de que esse desencontro

Se torne um reencontro

Com os tons de "canela, com mel de abelha"

Como diz a canção que o prenunciava

H. C. Q. F 9 de agosto de 2021











domingo, 8 de agosto de 2021

Arco-iris

 Me ajuda

Traz um pouco desse teu arco-íris

Pros meus dias nublados mesmo no sol quente

Pros meus dias azuis com chuva por dentro


Traz um pouco de sabor de riso

Sabor de beijo

Sabor de fonte de luz 


Tem um jogo gostoso na tua risada

Teu olhar é penetrante

Mesmo antes

Do verde encostar no azul e virar mel


Quando a gente se encontrou

Não foi na vez que tu me parou diante de ti

Foi quando teu leve circular

Cercou minhas intenções

E eu escolhi te esperar chegar mais perto

Como os pares se aguardam numa dança


Ainda não foi o encontro que eu quero

Quero prestar mais atenção no teu olhar

E ver se os meus dedos capturam teus cachos

E o nariz os cheiros menos prováveis


Estou a espera...

Mas cada passo que tu dá

Recebe um ⅓ meu

E de mim fica quase nada

E em mim vai fincando morada.


Eu sempre me apaixono em agosto

Pelo gosto que o desejo 

Em promessa se dá

H. C. Q. F 9 agosto de 2021