domingo, 16 de fevereiro de 2025

 Não consigo dormir... sem você...

Queria te dizer que sinto muito, sinto tudo ao mesmo tempo, porque não demos/damos certo.

Não posso dizer: eu não amo mais você. E isso ficou entalado na minha garganta, quando você sem dizer, mesmo assim disse que sou eu que você escolheu deixar.

Depois de dois parágrafos iniciados em negação, quero desreprimir isso que me engasga sem você.

Somos tão diferentes em tudo, mesmo os dois não tendo referência de pai.

Temos alturas incompatíveis, os corpos proporcionalmente dispares...

Essa palavra me pegou, dispares, é isso que sempre fomos e tivemos.

E isso foi tão bom. 

Lembro, sem querer, que andamos por horas entre bares, noite à fora...

Dançamos sem música...

Pulamos e você caiu... foi constrangedor e divertido.

Consigo imaginar maior intimidade que tudo que vivemos, mas conhecer o sepulcro de alguém tão importante e ver o sol renascer ali...

Eu sei o que senti...

Quero que as palavras cheguem... mas começo a adormecer...

Lembro nossos desencontros sexuais e percebo o quanto temos razão em nos distanciarmos...

E fico constrangida.

Aperto os lábios por saber que o celular, as mensagens, seu contato de telefone...  são tudo o que tenho de você... e isso é nada porque é sobre estar distante.

Desculpa, tentei escrever sem "nãos" e na verdade isso é outra coisa que sempre escondi de você: que não sabia o futuro... eu sabia sim.

Penso nas reviravoltas da vida e sei que a vida dá voltas e tudo muda...

Estaremos e seremos diferentes demais para acontecer sequer um beijo. 

Como aconteceu naqueles últimos dias...

Quero te rever mesmo assim.

Hcqf 17 de fevereiro de 2025


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

 Se eu pudesse escolher... 

Se tivesse a possibilidade inquestionável de fazer exatamente o que quisesse... 

Eu teria uma conversa franca com alguém.

Eu realmente não sabia que mesmo sentada ao seu lado, pode se estar longe de todos, da confusão da vida... e pode, sim, estar fingindo escutar, ou contar o que pensa, ou sente, ou mesmo quem é...

O mais difícil é saber que eu estou lá, sendo quem sou e falando o que penso.

Hcqf 25 de julho 2024

São Valentin

 Ainda dói...

Eu vejo caminhar, eu escuto rumores sobre a vida...

Eu imagino companhias...

E eu nunca estou, verdadeiramente, lá.

Não faz sentido estar tão perto, ainda que eu insista.

Persiste em mim um desejo de gota...

Sou eu, ou é a chuva que não esconde o frio desses dias.

Ter para quem dizer... mais do que com quem contar.

Eu sei porque contei e não pude dizer mais nada depois da porta-escuta fechar a janela da casa abandonada.

Troquei os nossos in-cômodos de lugar, como quem arrasta um sofá, ou uma mesa com o tampo de marmore (sozinha)...

Levantou poeira... é carnaval... meu eu mais remoto é de fevereiro...

Eu mesmo sou dos confins do ano e do universo... 

Escapo pelo nevoeiro pueril dos nossos desentendimentos cotidianos...

Para re(a)ver o en-canto/cômodo da sacada e as músicas tristes...

Anúncio d'Alva que revimos, juntos, sentados em frente a ciumeira frondosa...

Única testemunha viva da colisão daquelas duas noites tristes.

Feliz dia dos abandonados!

Hcqf 14 de fevereiro de 2025.


Primeira saudade do ano

 Um dia gostaria que ele me procurasse como quem procura água com sede.

Aquele momento, ínfimo para alguns, no qual nada acontece ao redor e a geladeira é um devaneio no deserto...

Hcqf 14 de fevereiro de 2025

sábado, 21 de dezembro de 2024

Feliz ano velho

 Quando um quer e o outro não quer, é teimosia.

Um queima e o outro esfria, amizade.

Quando um teima e o outro treme, é injustiça.

Nenhum dos dois persiste, então nunca existiu algo.

Quando só um escreve, o outro responde por inércia.

Quando a janela silencia... Faz sentido.

Hcqf 21 de dezembro 2024

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Chove em janeiro dentro de mim

 Primeiro você começa a me rodear como quem se prepara para dar o bote...

Depois eu piso no de propósito em uma armadilha para te encontrar.

Você não aparece, eu caio em uma prisão,mal feita.

Outro predador me espreita e me encontra enjaulada.

Ao se aproveitar, talvez por querer, também me liberta de você...

Nos perdemos novamente.

Mas Ao te rever, brigas e mais desencontros.

E você disse que a boca nega o que o coração quer dizer.

Mas os atos nos atravessam.

Eu te sinto chegar perto e esquivo, por reflexo.

Nossos olhos se repelem até que você escurece a face inteira, quando te encontro desprevenido me olhando sério.

Você estava com sono, eu constrangida.

Você havia dito pra uma platéia: "não esqueci". Mas eu sei que quando afirma, mente pra mim.

Mais umas tentativas de me dizer alguma coisa, eu não levanto a cabeça, você sempre fala comigo e com todos à mesa...

Se refere a mim, pra se despedir, primeiro.

Eu vejo o que você faz e como decide ir embora se justificando que faz toda diferença "dormir 10 minutinhos".

A chuva forte e fria me faz rir e gritar de frio.

 Você se aproxima e eu penso na sua blusa e na sua casa, mas ando duas casas pra frente no tabuleiro. Fico entre as pessoas e você pra trás no frio, na chuva.

Chove muito, muito e mais...

Entramos no carro: todo mundo ali dentro tem alguém, menos eu.

Na verdade sai do carro quando alguém vi que todos sabem da sua namorada.

Nada aconteceu! 

Nada, nem antes, nem agora.

Eu tomei banho, dormi bem e eu continuo chovendo frio.

11 de dezembro (janeiro) de 2024.