quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Confissões de uma boba



(Boba)gens
Ele precisa espairecer
Encontrar um abrigo sexual para suas derrotas pessoais
Que não são amorosas
Ele já tem seu cais
Guardou a vela e desferiu a ancora no (a)mar
Sim, mergulhado está nas águas da estima eterna

Resguarda uma musa, mui bela ao seu olhar
Da outra precisa apenas da sela
Alcova a agasalhar internuras malditas
Segredos de infância
Veleidades
Não a amará
Não lhe creditará propósitos
Sequer viverá manhãs ao seu lado
Serão estranhos diante de olhos conhecidos
Enquanto amigos íntimos
A ele, servirá de (re)pouso
Mesmo que não possa descansar
Objeto de sua culpa
Arderá diante de seu gosto
Desejada às avessas
(HCQF - set,2017)

"Tentativas vãs de descrever
O que me calou
Me rouba palavras
e chão e ar
me roubou de mim"
(Sandy Leah - Perdida e Salva )

https://www.youtube.com/watch?v=_m5CiaDF7aA


sábado, 2 de setembro de 2017

Abraço com hora marcada




               
        -  Entregue, inteira de sentidos - Caio em mim -
Não, eu não quero um abraço com hora marcada
e o que nele há de real:
o adeus e o que ele encerra em si.
Lembre-se,
eu desejava ser como um sonho de papel.
Uma folha livre - eu admiti,
mesmo sem querer isso para mim, mas por ti.
Isso nada tem a ver com obedecer ao tempo,
senhor dos atrasos e adiantamentos.
Ainda agora desejo a espera
de um dia te encontrar de surpresa
e perceber a tua face me precipitar
uma “mala de lembranças quase esquecidas,
tempos após tempos”.
De acaso,
ver seu sorriso se estender junto a seus braços.
Talvez uma lembrança cadente
correr em sua mente
e o carinho pretendido escorrer
feito tropeço no caminho
e desmoronar no meu abraço.
Prefiro lançar-nos ao inesperado e seus indizíveis,
entregues, por acidente, como se fossem mera eventualidade.
Escuto em canto: “você me diz pra eu ir devagar. E eu caio em mim”.
E neste instante revejo o pedaço de carne que me tornei diante de ti
e de novo sou só metade e me gosto assim.
E o peito entoa a canção: “segredos roubados de lá do fundo”.
E na memória a lembrança de que
já faz tempo desde que nos permiti e perdi.
Não quero a tarde a escurecer,
ou mesmo a chuva a cair.
Quero o tempo das fantasias nas madrugadas,
em que o roseiral floria
e o coração aquecido sorria
à toa, e por nada.
Depois o confronto diante do desejo de não se despedir,
apesar do adiantar da hora, da utopia,
e do “bienvenue dans la vie” advindo daí.
Não quero parecer ingrata.
Não foi um engano -
quisera tivesse sido,
eu não estaria aqui.
Foi uma entrega inteira de sentidos,
em plena sensação cadenciando vida pelo corpo,
 a transmitir respeito, sinceridade,
mesmo diante da sensualidade de onde me desprendi.
(HCQF - set, 2017) 


Para escutar em silêncio:
https://www.youtube.com/watch?v=GbVxxMiNTkM

E para segredar ao dizer:
https://www.youtube.com/watch?v=6ZKf16f9Wq0